quinta-feira, 16 de julho de 2020

A Família que faz a diferença no enfrentamento ao abuso e dependência de Drogas - Parte 2

DANDO CONTINUIDADE AO TEXTO " A FAMÍLIA QUE FAZ A DIFERENÇA NO ENFRENTAMENTO AO ABUSO E DEPENDÊNCIA DE DROGAS" APRESENTAREI OS FATORES DE RISCO E PROTEÇÃO.

Laura Fracasso - Psicóloga Clínica

Parte 2    

Fatores de risco e proteção no cuidar e educar

É importante conhecer o potencial de risco e os fatores de proteção existentes na família porque podem contribuir para mudar o curso de um acontecimento.


Riscos

  • Pais abusadores ou dependentes, por seus exemplos de conduta;
  • Isolamento social entre os membros e segredos familiares;
  • Relações conflituosas ou excessivamente permissivas;
  • Falta de estímulo da família para os estudos, lazer e outras práticas laborais;
  • Ausência do elemento paterno, agressividade e relações disfuncionais;
  • Inexistência de diálogo e afetividade na comunicação entre os membros, acarretando resistência ao assunto e, portanto, ao tratamento;
  • Ausência e descontinuidade de critérios na aplicação de regras familiares e limites;
  • Desinteresse dos pais pelas atividades e conquistas dos filhos e na participação de seus sucessos e fracassos;
  • Tolerância dos pais em relação ao consumo de álcool e tabaco;
  • Falta de informação sobre as drogas;
  • Crises socioeconômicas;
  • Incoerência e incongruência dos pais quanto ao padrão educacional a ser adotado para os filhos;
  • Expectativas negativas em relação aos filhos, aos cônjuges e companheiros;
  • Pais que não fornecem um bom modelo social e que, portanto, não transmitem as normas e valores morais socialmente aceitos.

 Proteção

  • Vinculação familiar com o desenvolvimento de valores, boa interação entre os membros;
  • Compartilhamento de tarefas no lar;
  • Diálogo e troca de informações entre os membros sobre suas rotinas e práticas diárias;
  • Valorização de um padrão de vida saudável na família;
  • Laços afetivos significativos entre os membros;
  • Estímulo e valorização da educação formal;
  • Expectativas positivas em relação aos filhos e aos demais membros da família;
  • Predomínio de estilo compreensivo de vida sem autoritarismo ou permissividade, mas com limites;
  • Relação de confiança entre pais e filhos;
  • Manifestação de interesse dos pais pela vida dos filhos e participação nos sucessos e fracassos dos mesmos;
  • Presença e constância de critérios claros na aplicação de regras disciplinares e desenvolvimento de valores no ambiente familiar;
  • Presença dos pais como modelos positivos quanto às questões sociais e morais e cultivo de valores familiares;
  • Postura clara e assertiva quanto ao uso de drogas pelos membros da família.

QUESTÕES PARA OS PAIS RESPONDEREM E COMPARTILHAREM  ENTRE SI

  1. Escreva três qualidades que você mais admira em cada um dos seus filhos ou suas filhas.
  2. Escreva três limitações que causam preocupação com cada um dos seus filhos ou suas filhas e que requerem mais atenção.
  3. Quais são seus medos em relação aos filhos ou filhas?
  4. Já se sentiu mal sobre como os educa? O que fez quando se sentiu assim?
  5. O que você mais admira em si como pai ou mãe?
  6. Caso tenha um companheiro ou companheira, o que mais admira nessa pessoa como pai ou mãe?
  7. Com quem você conta quando não sabe lidar com seu filho ou sua filha?
  8. O que você gostaria de dizer aos outros pais a partir de sua experiência como pai ou mãe? Registre aqui  sua mensagem.

Espero que todos possam ter feito reflexões que os ajudem não apenas a lidar com as dificuldades do dia a dia como também a identificar e valorizar o que a família tem apresentado de pontos fortes.

 JUNGERMAN, Flávia S. e ZANELATTO, Neide A. Tratamento psicológico do usuário de maconha e seus familiares: um manual para terapeutas. São Paulo: Roca, 2007

Fonte: http://clinicalibertamente.com.br/a-familia-que-faz-a-diferenca-parte-2/


Um comentário:

  1. Fico pensando em como está a educação do Brasil hoje! Os pais, não estão mais acostumados a passar valores próprios e familiares para seus filhos. Na sua correria para conquistar as coisas ou, na grande maioria, para sustentar as suas famílias, isso tem ficado como tarefa para a escola. E como isso não é tarefa da escola, tem ficado a desejar e muito tem se perdido Fácil perceber isso agora na pandemia, muitos pais estão sofrendo pois não estão conseguindo lidar com seus filhos sem a escola, se sentem perdidos e sobrecarregados. Resultado de tudo isso: a família atual não oferece esse lugar de proteção sugerido no texto. A escola acaba não sendo também fator de proteção pois não damos conta de suprir o que falta na família (por mais que queiramos não é nosso papel)! Texto uito bem escrito e bem colocado, é necessário uma boa reflexão de nós pais: "Eu sou fator de proteção, sou realmente proteção? O que tenho feito? Meu filho confie em mim, me vê como proteção? O que devo mudar? Preciso de ajuda? E nós como educadores uma reflexão como escola: o que podemos fazer? temos realmente ajudado as famílias a ajudar seus filhos? Temos investido na prevenção? Seria difícil promover algo, nem que fosse duas vezes ao ano para as famílias nessa área? Lembre-se escola lugar de educação: oferecer educação (conhecimento)aos pais é investir na educação de nossos alunos. (apenas uma provocação).

    Maria Emília (São Paulo - SP)
    Professora de Sociologia
    *Não consegui logar, por isso ficou anônimo

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