quinta-feira, 9 de setembro de 2021

Codependência Emocional: A Doença do Familiar do Dependente Químico

 


Ao pesquisar pelo termo codependência emocional na internet, percebe-se que há uma série de definições controvérsias sobre o assunto, a maioria envolvendo uma linguagem técnica. 

Em contrapartida, a explicação dada por Melody Beattie através do livro "Codependência Nunca Mais", embora resumida, é bastante clara e precisa, onde a mesma define co-dependente como um indivíduo que permite que o comportamento de outra pessoa o afete, tornando-se obcecado em controlar tal comportamento. 

Como os co-dependentes agem?

Na verdade não são apenas familiares de dependentes químicos que estão sujeitos a desenvolverem um quadro de codependência. Quem convive com uma pessoa depressiva, bipolar, jogador ou comedor compulsivo, criminoso, ninfomaníaco, esquizofrênico, ou até mesmo com um adolescente rebelde, pode se tornar inconscientemente obcecado em controlar o comportamento do outro. 

Diferente dos manipuladores, que usam estratégias para influenciar e convencer a vítima a fazer as suas vontades, o co-dependente vive angustiado e excessivamente preocupado com o bem estar dos demais, seja de um filho (a), cônjuge, mãe/pai, etc. São genuinamente carinhosos, cuidadosos, protetores e contraditoriamente compreensivos, porém, o problema está na falta de limites ao imprimir essas qualidades. 

Tal comportamento é extremamente prejudicial tanto para quem o possui quanto para as pessoas as quais se relaciona. 

O co-dependente capta as emoções do outro e as transforma em suas próprias emoções, abandonando o "seu eu interior" para interiorizar os sentimentos alheios, ou seja, se alguém que ele cuide e ama não está feliz, o mesmo também não consegue sentir-se feliz, exatamente por pensar que é o responsável pela felicidade do seu "protegido". 

Exemplo: Imagine um relacionamento onde a mãe de um dependente químico acompanha o declínio do mesmo por causa do uso de drogas e obviamente tenta livrá-lo dessa situação dando conselhos e até discutindo ou aplicando um castigo como forma de punição, mas sem sucesso. 

Então a mãe acaba recorrendo à internação do filho como sua última esperança. Porém, após várias recaídas ela acredita que seus esforços foram em vão, e por não estar emocionalmente preparada para lidar com a doença dele, a mesma desenvolve comportamentos co-dependentes. Começa a dizer frases como: 

  • Por que você faz isso comigo? Ela sente que os danos causados pela droga a afetam tanto quanto o filho.
  • Por que você está fazendo isso? Não entende que o dependente químico não possui pleno controle sobre as próprias ações, pois o cérebro está sob constante efeito das substâncias. 
  • Onde foi que eu errei? Essa frase configura o sentimento de culpa do co-dependente. 
  • Por que você não deixa eu te ajudar? Ela não consegue reconhecer seus esforços para ajudá-lo e por não haver melhora no quadro de dependência, a mesma sente-se impotente. 
  • Me conta o que está havendo com você. Apesar de saber exatamente o que se passa com o filho, ela busca avidamente a causa ou algo que justifique o comportamento dele. 
Também apresenta comportamentos controladores e invasivos como: 
  • Segui-lo até os lugares onde ele frequenta;
  • Vasculhar seus pertences pessoais como bolsa, mochila, carteira, gavetas, etc.;
  •  Tentar ou impedir que ele saia de casa;
  • Ligar diariamente para amigos e familiares de amigos, ou colegas de trabalho para saber sobre ele.
Enfim, ao invés de se reerguer para prestar apoio emocional, o co-dependente acaba se entregando. 

O co-dependente acredita que se o outro estiver bem ele automaticamente também estará, sendo assim, ambos tornam-se vítimas de um ciclo vicioso. 

Pessoas que desenvolvem codependência ao assistir algo ruim no noticiário ou ouvir um desabafo de uma amiga que está passando por problemas, por exemplo, ficam extremamente frustradas quando não conseguem reverter ou amenizar o problema, ou seja, seu humor e estado emocional é constantemente influenciado por pessoas e eventos alheios. 

Sou co-dependente. E agora?

O primeiro passo para libertar-se dessa condição é o autoconhecimento, se conhecer o suficiente para analisar seus comportamentos sendo imparcial consigo e com as pessoas as quais se relaciona. 

É importante ressaltar que a codependência não se trata de empatia, mas de um comportamento narcisista no qual o indivíduo fica vulnerável a fatores externos e busca controlar pessoas e situações como tentativa de autodefesa, a fim de amenizar sentimentos depressivos como a sensação de impotência, culpa e incapacidade. 

Caso você se reconheça como co-dependente é recomendado buscar tratamento com um profissional terapeuta ou psicólogo, que o ajudará a lidar com questões relacionadas a transtornos da mente, bem como a agir diante dos fatores externos agravantes da doença. 





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