terça-feira, 21 de dezembro de 2021

A prevenção deve começar desde a gravidez

 in DROGASFAMÍLIAPREVENÇÃO



A gravidez é um momento de total entrega, de comprometimento e acima de tudo muita responsabilidade. Durante os 9 meses gestacionais é preciso redobrar cuidados com alimentação, medicamentos utilizados, esforço físico e até mesmo lugares habitualmente frequentados.

Claro que gravidez não é doença e não é preciso abrir mão de tudo que fazia antes de engravidar, mas serão necessárias algumas escolhas e certos cuidados se deseja que seu bebê se desenvolva bem e saudável.  Para as adeptas à noitadas regadas a bebidas e até algumas drogas "recreativas" para dar uma agitada na noite é bom ter ciência das consequências e dos efeitos das drogas na gravidez. O que pode parecer um simples divertimento de momento pode trazer danos e prejuízos por toda vida. 

A pandemia de coronavírus ainda está presente na sociedade e, apesar de algumas regras de precaução estarem sendo flexibilizadas, o momento ainda exige parcimônia e cuidados redobrados com novas e antigas variantes ainda circulantes em nosso meio. Também temos a aproximação das festas de final de ano, confraternizações, em breve o carnaval...

Tanto tempo afastados de nossas atividades fez com que qualquer flexibilização fosse, para alguns, como uma "carta de alforria" e, sobretudo os mais jovens, tem abusados de eventos compartilhados sem os devidos recursos de proteção, baladas, bares, festas regadas a muito álcool e outras drogas. 

É preciso estar atento, sobretudo se você está em idade fértil e pode estar ou desenvolver uma gravidez. Saiba mais sobre o assunto. 

Gravidez Consciente

Toda mulher que está gerando precisa saber que tudo que entra no seu corpo também entra em contato com o bebê seja pela placenta ou pela corrente sanguínea. Através de alimentos, bebidas, medicamentos e inclusive drogas sejam elas quais forem, coloca o bebê em contato com essas substâncias. O uso de drogas torna o bebê um dependente químico sem ao menos ter a escolha de não querer usar. 

IMPORTANTE:  Após o nascimento, bebês gerados por mulheres adeptas as drogas costumam apresentar comportamento mais agitado, chorar mais e sem motivo e isso faz parte da "abstinência das drogas". 

Por isso é necessário consciência de cada ação durante o período gestacional e se a mãe faz o uso de qualquer tipo de droga é hora de parar. E não estamos falando somente de maconha. cocaína, crack e afins, mas drogas como cigarro e álcool também. Aí sempre terá aquele que diz que a maconha é uma planta, portanto é natural e não pode fazer mal para a gestante e o bebê e muito menos causar efeitos da droga na gravidez. 

Porém, diversos estudos recentes comprovaram que é o contrário. Mesmo que nasçam com aparência normal, os efeitos surgirão ao longo da vida.  Sintomas comportamentais, dificuldades no aprendizado e de atenção são algumas características observadas em crianças geradas por mulheres que utilizavam droga durante a gravidez. 

Drogas e Seus Efeitos

Toda substância química pode afetar o desenvolvimento fetal e ainda gerar problemas que a criança carregará por toda sua vida. Cada uma das substâncias químicas em sua particularidade afeta uma parte do organismo e do desenvolvimento do bebê. 

Ecstasy - A famosa droga das baladas que promete animar a sua noite como nenhuma outra é a responsável pelo maior número de más formações cardíacas nos bebês e na deficiência de alguns membros. Ainda é apontada como causadora de problemas na memória a longo prazo e transtornos de atenção. 

Cocaína - A cocaína, muito conhecida pelo seu poder estimulante, atinge fortemente o sistema nervoso trazendo danos irreversíveis aos seus usuários. Quando utilizada na gravidez, principalmente nos primeiros meses, pode causar abortos espontâneos. Com o uso da droga ao longo da gestação, o efeito da droga na gravidez pode levar ao descolamento de placenta, colocando a vida da mãe do bebê em risco. 

Já os efeitos da droga no bebê são ainda mais intensos, já que seu uso está relacionado a um grande número de casos de anomalias intensas no cérebro, face, coração, intestino, olhos e genitálias do bebê. Além das crises de abstinência que são obrigados a enfrentar logo após o nascimento pela falta da substância no sangue, que podem levar até 10 semanas de vida para se normalizar. O uso da cocaína ainda pode levar a um parto prematuro. 

Maconha - Segundo estatísticas, a maconha é a droga ilícita mais utilizada pelas gestantes em todo mundo. Com o argumento de ser uma erva, o que a tornaria natural, milhares de mulheres no mundo colocam a vida de seu bebê ainda no ventre em risco por simples curtição. O uso da maconha não está relacionado a casos de má formação do feto, mas está diretamente ligado ao aumento de frequência e intensidade de contrações uterinas na gestação que pode resultar em abortos espontâneos. 

Foram observados também que bebês gerados por mulheres adeptas à maconha durante a gestação nasceram menores e com índices de baixo peso, situações estas que foram normalizadas no decorrer do primeiro ano de vida dos bebês. Outros sintomas como tremores e espasmos indicando problemas neurológicos  e dificuldade na sucção na hora da amamentação também foram constatados. 

Porém, dentro de todos os sinais informados acima, os de maior número foram os bebês com problemas de memória, raciocínio e déficit de atenção principalmente na época escolar. Foram observados também relatos de hiperatividade, quadros de ansiedade e distúrbios neurológicos. 

Cigarro - Os efeitos do cigarro são evidentes para qualquer ser humano. Já na gravidez, esses efeitos triplicam de importância por estar afetando não só uma vida, mas duas. O uso do cigarro na gestação aumenta os riscos de aborto espontâneo, parto prematuro, aumenta as chances de morte súbita do recém-nascido e ainda é responsável pelo nascimento de bebês com peso abaixo do normal.   

Álcool - Os efeitos do álcool na vida do bebê gerado no alcoolismo podem ser intensos. podem nascer menores do que o normal, Possuem maiores chances de desenvolver a microcefalia, apresentar anomalias na face, nascer com problemas cardíacos, além da deficiencia intelectual. Ainda estão expostos a chances de apresentar a síndrome do alcoolismo fetal  logo após o nascimento. 

Sou Usuária de Drogas e Engravidei - Como Parar?

Quando falamos de usuários de drogas, naturalmente ligamos o fato às drogas ilícitas. Porém aqui iremos ressaltar a dificuldade de usuários de qualquer que seja a substância, incluindo as que são comercializadas naturalmente como cigarro e bebidas alcoólicas a deixá-las. Qualquer pessoa que tenha vícios, seja ele qual for, sabe bem como é difícil abandoná-lo. 

Mesmo que seja uma usuária casual ou totalmente dependente, aquela velha história de "não sou viciada e deixo de usar quando quiser" é uma verdadeira lorota. É comprovado que basta um trago ou uma única vez de uso de certas substâncias para se tornar dependente dela. Porém, para deixar as drogas é necessário um único e grande passo, DESEJAR PARAR!

Ninguém deixa de usar drogas porque a família, namorado ou amigos quer. O desejo tem de partir da pessoa, juntamente da sua força de vontade em buscar ajuda. O primeiro passo é: não se esconda da verdade, afinal, você precisa de ajuda! Durante a consulta com seu ginecologista é essencial que você fale a verdade e relate o tipo de drogas que usa, assim como a frequência de uso e quantidade. Os médicos têm obrigação de aconselhar e manter total discrição do que conversaram dentro do consultório. 

Durante a consulta, serão explicados os danos e efeitos causados pelos entorpecentes e os caminhos para te ajudar a parar. Existem muitas instituições por todo o Brasil que atendem mulheres dependentes químicas. Não pense que tudo está perdido, sempre existe uma saída, uma solução e uma porta para se abrir, procure ajuda e salve sua vida e de seu filho!

 Fonte: https://www.trocandofraldas.com.br

Observação: matéria retirada do Blog Freemind 

https://freemind.com.br/blog/a-prevencao-deve-comecar-desde-a-gravidez/

quinta-feira, 21 de outubro de 2021

CODEPENDÊNCIA - Quando o cuidado torna-se uma doença

                              Autores: André Luis Granjeiro Psicólogo Especilaista em DQ pela UNIAD/UNIFESP
Danyelle Argemira G. Fernandes, graduanda em Psicologia UNIP Campinas-SP



O (TUS) - Transtorno de uso de substância - torna-se grave, crônico e progressivo, carretando prejuízos biopsicossociais, além de espirituais, e limitando a vida do dependente, em suas relações e interações sociais, em uma estrutura global. O TUS é multicausal com uma abrangência multifacetada, causando, por isso, uma destruição massiva no ambiente das relações pessoais e profissionais. A convivência com um dependente químico exige de seus familiares um estabelecimento de limites cuja carga emocional, em muitos casos, não é bem assimilada e absorvida, causando uma autodestruição imperceptível aos envolvidos nesse ambiente disfuncional. Nesse processo de autossabotagem, o zelo maciço do cuidador passa a ser outro transtorno, tão grave quanto a própria dependência química: a "codependência". 

A codependência, segundo Norwood, é a limitação, no estabelecimento de relações saudáveis retroalimentadas pela submissão e controle sobre o outro, em uma anulação de si mesmo. Em um processo doentio de controle, o codependente assume a responsabilidade do outro para si mesmo, enquanto isenta-se de seu real processo de autorresponsabilidade. assim, adquire para si todos os prejuízos e dissabores ocasionados pela impetuosidade da proximidade com um dependente químico, como perdas financeiras, agressões, dívidas alheias, perda de emprego, entre outras, assumindo para si a corresponsabilidade dessas demandas, submetendo-se a qualquer consequência em nome do outro. 

Esse termo, primeiramente adotado por grupo de ajuda a familiares e cônjuges, passou a ser adotado para os familiares ou cônjuges de dependentes químicos e/ou portadores de psicopatologias graves, cujo comportamento denuncia uma forte dependência da problemática do outro. Refere-se a:

"... pessoas fortemente ligadas emocionalmente a uma pessoas com séria dependência física e/ou psicológica de uma substância (como álcool ou drogas ilícitas) ou com um comportamento problemático e destrutivo ( como jogo patológico ou um transtorno de personalidade)." 
(CODA Co-dependentes Anônimos do Brasil).

Enquanto o dependente químico possui adicção a substâncias psicoativas, sejam elas quais forem, o codependente é adicto ao "seu dependente", coligado em uma "atadura emocional", ou, em outras palavras, depende da patologia do outro. 

"O co-dependente repete os mesmos comportamentos ineficazes de quando era criança com o objetivo de ser aceito, amado e importante, e, por tal conduta, tenta aliviar a dor e o sofrimento por sentir-se abandonado. No entanto, paradoxalmente a esse comportamento, o co-dependente tende a perpetuar estes sentimentos. O vínculo defeituoso que se estabelece carrega as preocupações com o que os outros pensam e o medo da perda de um relacionamento, sente e experimenta a culpa e está sempre tentando reparar danos. A percepção que o co-dependente tem do mundo é perigosa, visto que o mesmo apresenta a necessidade de proteger e o medo de ser abandonado". CARVALHO e NEGREIROS, 2011.

Por esse motivo, o olhar e cuidado sobre o familiar são preponderantes no tratamento da dependência química haja vista que o ambiente familiar e social podem atuar como fatores de risco ou proteção quanto à dependência. O entendimento sobre esse transtorno, que afeta principalmente familiares e cônjuges de dependentes químicos e outras psicopatologias, é de extrema importância, em um contexto para entender-se o fenômeno das dependências como um todo. O dependente químico é um ser inserido em um ambiente familiar, social, cultural e espiritual agregando um raio de influência crescente e abrangente. E assim, como um ser coautor de seu meio, não deve ser visto nas limitações de seu corpo físico, e sim como um ser social e ator de transformações ao seu redor. Muitas vezes, trata-se do "doente" desconsiderando-se o seu entorno familiar e social, cujos atributos podem ser facilitadores e perpetuadores como podem ser limitadores e inibidores do processo da dependência, retroalimentando-se por relações doentias, em uma dinâmica destrutiva de dependências paralelas. Assim, o dependente possui uma relação incontrolável com o objeto de desejo, enquanto o codependente tem essa mesma relação de sujeição ao seu dependente. (Oliveira, 2004). 

A codependência caracteriza-se pela incapacidade do indivíduo em formular suas próprias necessidades, enquanto define-se apenas na presença do outro. A tensão mantém-se de forma permanente, conforme Carvalho e Negreiros (2011) citando Hernández Castañón (2007); Leis e Costa (1998):

"...devido à atitude do co-dependente em manter o relacionamento, na medida em que a intimidade e a cumplicidade aumentam, pois o mesmo é integrante de uma rede na qual se envolve de maneira obsessiva aos problemas e à vida do dependente, ocasionando o desequilíbrio em sua  vida pessoal, familiar, social e profissional." (CARVALHO E NEGREIROS, 2011). 

Os autores ainda ressaltam, contextualizando com Beattie (2007): Tofolli, et al. (1997); Zampier (2004):

"Nesta condição o indivíduo depende da aprovação e da capacidade para se controlar, assim como o outro. Além de frequentemente se preocupar com pessoas que apresentam características de instabilidade, o co-dependente apresenta impulsividade, medo, insegurança, dificuldade em expressar sentimentos, incerteza do futuro, medo de errar, culpa, justificativa para o insucesso, necessidade de ser útil acompanhada de sofrimento, competição e disputa para sempre ter razão, ambivalência entre afeto, raiva e frustração, baixa auto-estima, ansiedade em querer mudar o outro e controlá-lo, excessiva negação, vitimização, estresse, indignação, mágoa, falta de afeto, desvalorização, doença, depressão, abatimento, mau humor, decepção, desespero. Quanto aos sentimentos percebidos para com ele, sentimentos estes centrados na pessoa, destacam-se insatisfação, desrespeito, pena, violência, raiva, exploração, desprezo, comparação, distanciamento e abandono. Apresentam dificuldade na identificação da auto-imagem, dificuldade em expressar ou identificar sentimentos, vitimização, ansiedade em relação à intimidade. Das características centradas na relação, ou seja, comportamentos em relação a si mesmo ou aos outros, se destacam a compulsividade e a distorção de limite, assumem indevidamente a responsabilidade, recorrentemente assumem relacionamentos com pessoas "conturbadas" e podem ser vítimas de abuso físico e/ou sexual." ( CARVALHO e NEGREIROS, 2011).

Portanto, a codependência é um padrão repetitivo de atadura emocional que age com uma disfuncionalidade em grande parte dos vínculos (FAUR, 2012), causando grandes impactos e sofrimento na vida de quem a vivencia. Com um controle excessivo sobre a vida do outro e com um alto índice de tolerância e permissividade quanto aos abusos sofridos, o codependente torna-se tão manipulador e corrosivo quanto o próprio dependente químico. Entretanto, é vital ressaltar-se que nem toda forma de apoio, compreensão e altruísmo são problemáticos, pois esse funcionamento é muito importante para o vínculo sadio e fortalecimento familiar. A problemática aparece quando essas ações geram sofrimento contínuo aos envolvidos e não são salutares na proposta de melhora da dependência química ou de qualquer outro transtorno grave, podendo evoluir para um agravamento do quadro. Correr riscos pelo filho amado; pagar dívidas de tráfico; facilitar o acesso à substância para sanar o craving provocado pela abstinência, abusos físicos e psicológicos por "amor" ao cônjuge ensandecido; perder a saúde devido à preocupação com comportamentos alheios; viver a vida do outro, em vez de assumir a responsabilidade pelas próprias dores, são apenas alguns exemplos. A codependência possui tratamentos terapêuticos psicológicos baseados no autoconhecimento e na retomada da autorresponsabilidade  e assunção de si mesmo como um ser humano autoconfiante e integral na busca de sua autoestima. Existem grupos de apoio a todos os envolvidos no processo de codependência, que são vitais para o reerguimento desses familiares que perderam suas vidas em uma tentativa de assumir a vida do outro. Nar-anon (Apoio aos familiares de Narcóticos Anônimos), Al-anon (Apoio aos familiares de Alcoólicos Anônimos), Amor Exigente e o CoDA (Co-Dependentes Anônimos) são grupos que podem facilitar o processo do tratamento e estabelecimento de relações mais saudáveis e funcionais. 

Se você se identifica ou conhece alguém que se encaixa nesse perfil, procure ajuda. 

André Luiz Granjeiro: Psicólogo clínico (online, presencial e domiciliar) CRP 06/144060, Especialista em Dependência Química pela UNIFESP/UNIAD, membro da Associação Brasileira de Estudos de Álcool e outras Drogas (ABEAD), Especialista em avaliação psicológica pela Kroton Sumaré, Idealizador do curso em acompanhamento terapêutico( AT) em dependência química (DQ) teórico e prático, presencial em campinas.

Nota: As referências bibliográficas citadas podem ser encontradas na fonte do artigo citada abaixo.




 

sexta-feira, 24 de setembro de 2021

Um Olhar sobre a Codependência na Dependência Química

 Por   Samuel de Souza Ferreira (Psicólogo) 

André Luiz Granjeiro (Psicólogo, especialista em DP)


Via de regra, o dependente químico se vale da sedução para manipular o ambiente, de modo que tais meios justifiquem um imutável fim: a manutenção do uso, bem como busca compulsória pelos "prazeres" provocados pela substância na qual se adicta. De acordo com o dicionário online Dicio (2020), barganhar significa vender alguma coisa de maneira fraudulenta, geralmente prejudicando quem efetua a compra; trapacear [...] [pejorativo]. Acordo que se efetiva fraudulentamente por meio de favores, benefícios mútuos ou práticas enganosas. Quando essas habilidades são desenvolvidas ou mesmo aprimoradas, podem se tornar hábito, o dependente químico não medirá esforços para que o ambiente e as pessoas que o circundam se vejam envoltos em um contexto de manipulação, barganha, dependência e codependência. 

À guisa de uma breve síntese histórica, caberia retomar a ideia de que o termo codependência surgiu na década de 70, a partir da análise do comportamento das pessoas que "cuidavam" de familiares alcoólicos, acompanhando-os aos grupos de autoajuda, criados especificamente para atenderem as necessidades de recuperação desta população. Observou-se, no entanto, que as compulsões, sejam por quaisquer substâncias ou circunstâncias, afetam não apenas o indivíduo adicto, mas todo o núcleo familiar, e em decorrência desta rede de prejuízos, as compulsões foram caracterizadas como "doenças familiares". Como a compulsão trata da inabilidade de algumas pessoas de lidarem com seus impulsos excessivos, sucumbindo ao descontrole de suas ações adictas, é natural, é natural que gerem desordem e instabilidade no meio familiar (TOZATI, 2015, p. 1). 

Muito do que o codependente vivencia está diretamente relacionado com falta de informação independente da classe social e, é claro, acompanhamento profissional qualificado. Ainda que ele sabe algo sobre o manejo de um toxicômano, já se é sabido que fatores como vínculo afetivo podem impedir que o ente envolvido conceba um prisma de reais possibilidades de abordagem/manejo efetivo das demandas presentes. Não raramente familiares codependentes trazem elevada carga de baixa autoestima, caracterizada pela falta de amor próprio e outras dificuldades, como de negação e imposição de limites, sentimentos de ilusão, sofrimento, ansiedade, angústia, medo, impotência, fracasso, sensação de vazio e o desconhecimento dos próprios sentimentos (MORAES et al. 2009, p 4).

Os problemas dos dependentes de álcool e outras drogas não são sofridos em isolamento, pois virtualmente todo dependente químico afeta outros - especialmente os que vivem próximos a eles. Aliás, a dependência química é comumente chamada de doença familiar. Costuma existir um envolvimento tão grande e tão visível entre os familiares e os problemas e sintomas do doente, que o termo Codependência foi inventado para descrever tal situação. Embora não existam duas famílias iguais, ou que respondem à dependência química da mesma forma, há temas, sentimentos e comportamentos comuns que prevalecem em quase toda a família que abriga um paciente (MARINHO, SOUZA, TEIXEIRA, 2015 p. 6, apud KRUPNICK, 1995, p. 31). 

Com a finalidade de manutenção do uso, o dependente químico adota habilidades como a barganha. Pode utilizar a internação como pretexto para desintoxicar, "dar um tempo" ou "ter um fôlego" para retomar ao uso compulsivo e "isso acontece porque o paciente tende a manipular/manobrar bastante o familiar fragilizado emocionalmente para ir embora"   (JESUS, 2016, p. 167) sem concluir com  aproveitamento genuíno o período de internação. De maneira consciente, opera sobre vontades a ele alheio, faz bom uso da ideia de "cura", utiliza a esperança dos familiares e essa manipulação só vem a tona quando em curto espaço de tempo o dependente químico recai pesadamente, é apenas no após que é revelado a nulidade de todo voto de confiança. 

Com a família despreparada e sem saber lidar com a demanda do dependente, passa a efetuar negociações e construir idealizações sobre o fim do sofrimento. Nesta fase, ainda não há a real noção da gravidade do problema (MARINHO, SOUZA, TEIXEIRA, 2015, p. 6). Não obstante, realiza chantagem emocional, manipula contextos e pessoas para que elas o olhem com pena, possuem uma retórica sedutora, narra fatos mirabolantes, (no entanto, convincentes). Um caos onde impera contextos de iminente violação física, ameaça de forma aberta ou velada incutindo medo. É capaz de variar o repertório fazendo promessas que jamais irá cumprir. Neste contexto, a adicção se mantém porque existe um desejo de uso. Embora seja corriqueiro que adotem estes e outros repertórios comportamentais, o ato da barganha como ferramenta de manipulação não é regra, pois, quando existe a genuína vontade de busca de tratamento, o adicto se vê "limpo" nem que seja por apenas um dia. 

O medo é um dos sentimentos mais presentes e marcantes na vida dessas pessoas [...], ele ficou associado à violência contra o outro  a si próprio, ao abandono, ao medo de cometer erros, de ter vida própria e de que aconteça algo ruim com o dependente químico. A violência física resulta do efeito do uso das drogas em alguns dependentes químicos, ocasionando medo nos familiares e em outras pessoas com as quais convivem. Participantes como mães e esposa disseram que sentiam medo de serem agredidas fisicamente pelos familiares dependentes químicos (MORAES et. al., 2009 p. 4). 

Pode-se dizer que a dependência emocional é definida como um transtorno aditivo, no qual o indivíduo necessita do outro para manter seu equilíbrio emocional (BUTION, WECHSLER, 2016, p. 1). Assim como o toxicômano, o familiar traz consigo elevado nível de ambivalência, ansiedade e instabilidade que culminam em uma forma de "fissura" proximal onde a relação é pautada por barganhas e manipulações de ambas as partes. Trata-se de uma relação condicional em que faltas são cometidas de parte a parte até que se tenha claro dependente e codependente. Isso quando, por questões situacionais, ambos alteram a própria posição agregando complexidade tanto no cotidiano em termos relacionais, como em contexto terapêutico quando existente. Tem-se, em tal contexto, um ambiente familiar que fatalmente converter-se-á em contexto sintomático repleto em negações. Mesmo quem não bebe sofre com efeitos do alcoolismo, vítima e agressor em ferrenha busca por dominação buscando saciar seus anseios, pessoas não dependentes de drogas ilícitas vivenciando efeitos e fissuras da abstinência ainda que não sejam em si mesmas. A dependência emocional foi definida como um padrão crônico de demandas afetivas insatisfeitas, que buscam ser atendidas por meio de relacionamentos interpessoais caracterizados por um apego patológico (BUTION, WECHSLER, 2016, p. 3, apud: MORAL, SIRVENT, 2008). 

Reconhecendo a importância da família na formação de seus membros, sendo elemento principal na construção de uma rede social de apoio ao dependente químico, a equipe de saúde mental precisa estar atenta ao funcionamento dessa rede, criando laços de parceria, fundamentais e imprescindíveis no tratamento do dependente químico e no desenvolvimento de relações mais sadias e/ou significativas. Dessa forma, a integração da família na dinâmica de atenção ao adicto pode facilitar sua recuperação, proporcionando modos de enfrentamento que resultarão em melhor qualidade de vida (MORAES et al., 2009 p. 2). 

Em muitas famílias, questões relacionadas à dependência química são tratadas como tabu. Mesmo quando existe evidência do envolvimento de um ente com drogas, ocorre uma forma de racionalização, camuflagem, negação, até chegar o dia em que não seja mais possível ocultar. è quando a dependência já está em um nível avançado. São claros objetos sintomáticos e codependentes: a falta de tato e repertório. Isso faz com que a questão se torne complexa e outros ganham subênfase. Podemos dizer que a família acaba se tornando mantenedora do problemas em tais contextos (MORAES et al., 2009, p. 5)

Um movimento comum da família que tem em seu seio um dependente químico é a fuga. Souza subdivide este movimento em cinco etapas. E elas são: negação, barganha, depressão, agressão e aceitação. Estas etapas são denominadas de As Cinco Fases da Codependência (MARINHO, SOUZA, TEIXEIRA, 2015, p. 6, apud SOUZA, 2010). 

Na primeira fase - negação - a família depara-se com algo terrível e inimaginável, a dependência química de um ente querido. Em primeiro momento há uma espécie de negação da realidade. Os indivíduos que constituem esta família são tomados pelo desejo de indignação e dúvida em relação à dependência química do adicto. Na segunda fase - barganha - a família, ainda despreparada e sem saber lidar com a demanda do dependente passa a efetuar negociações com o adicto e construir idealizações sobre o fim do sofrimento. Nesta fase ainda não há a real noção da gravidade do problema. A terceira fase - depressão - constituída de uma tristeza imensa como produto da então formulação da  crítica familiar, desvenda e traz aos olhos a noção do tamanho da proporção dos fatos. É nesta fase que o adicto pode simplesmente não conseguir lidar com esse sofrimento e se afundar ainda mais chegando, inclusive, ao suicídio, ou tomar ciência e aceitar um tratamento especializado.  Na quarta fase - agressão - todas as fichas foram gastas no intuito de interromper a autodestruição do sujeito. É nesta fase que a família, já cansada e sem recursos emocionais dá início a uma série de tomadas de decisões punitivas com medidas desesperadas a fim de resolver a situação. É na quinta fase - aceitação - que a família finalmente começa a construir e aceitar a situação do adicto, dando início a diálogos impossíveis de serem conduzidos outrora. Esta fase é caracterizada pelo início da saída do movimento de Codependência Familiar (MARINHO, SOUZA, TEIXEIRA, 2015, p. 6, apud SOUZA, 2010). 

Outra postura recorrente presente no codependente é a ideia de que deve atuar como salvador, no entanto, este ato de ajuda "salvadora" é diferente do ato de amor, bondade, compaixão e ajuda genuínos, pois além de estar ancorado numa necessidade do codependente, tende a fragilizar e tornar a pessoa a ser salva como impotente, transformando-a em vítima (TOZATI, 2015, p. 4). 

Cabe salientar que este artigo teve como uma de suas finalidades abordar, além de assuntos relacionados à dependência e a codependência, o importante papel da família quando o assunto é dependência química. Por abranger questões de natureza multifatorial, é preciso que a família atue como um todo, sólida unidade, atuando de forma producente, até porque neste processo "seu bem nunca é inteiramente bom. Seu mal jamais totalmente mau. Mesclam-se bem e mal, diabólico e simbólico, insensatez e sabedoria, cuidado essencial e descuido fatal... Devemos exercer a compaixão para com nós mesmos" (MORAES et al., 2009, p. 6, apud BOFF, 2004, p. 159). Em meio ao caminho e suas ambivalências e nuances do viver, cabe caminhar rente ao bom, sensato, sábio e cuidadoso passo ainda que simbólicos nos mantendo rentes a nossa melhor versão. 

André Luiz Granjeiro: Psicólogo clínico (online, presencial e domiciliar) CRP 06/144060, Especialista em Dependência Química pela UNIFESP/UNIAD, membro da Associação Brasileira de Estudos de Álcool e outras Drogas (ABEAD), Especialista em avaliação psicológica pela Kroton Sumaré, Idealizador do curso em acompanhamento terapêutico( AT) em dependência química (DQ) teórico e prático, presencial em campinas.

Nota: As referências bibliográficas citadas podem ser encontradas na fonte do artigo citada abaixo.





sexta-feira, 17 de setembro de 2021

A Pandemia de Bebida Alcoólica

Dados indicam aumento da circulação  e do consumo de álcool no Brasil  no último ano

Por Analice Gigliotti - Publicado em 30/06/2021


À medida em que as vacinas vão chegando aos braços dos brasileiros e que passamos a enxergar uma luz no fim do túnel ao isolamento dos últimos meses, é possível começarmos a especular sobre quais serão os legados que a pandemia deixará na saúde física e mental da população brasileira. Mudanças de paradigma como o home office e a valorização da casa são concretas bem como, infelizmente, o aumento de casos de ansiedade e depressão. 

Outra vertente que chama a atenção é o aumento significativo de produção e de consumo de bebidas alcoólicas no último ano. Dados do IBGE divulgados no começo de junho afirmam que a produção de bebida alcoólica cresceu 17,6% nos primeiros quatros meses de 2021, em comparação com o mesmo período de 2020, portanto, antes da entrada avassaladora do coronavírus em nossas vidas. Para quem está no front no atendimento aos pacientes, a impressão é que quem já tinha um consumo desequilibrado de álcool antes da pandemia se aproximou da dependência nos últimos meses. Os que já eram dependentes e estavam em abstinência recaíram. Os números dão concretude a essa percepção: de acordo com o Global Drug Survey, publicado este ano, o Brasil ocupa o 10º lugar em número de ocasiões em que as pessoas ficaram alcoolizadas no último ano - acima da média global e bem superior à posição no ranking do ano passado (24º lugar). 

A facilidade  e comodidade do delivery é outra herança deste novo tempo. Apenas o aplicativo Zé Delivary, braço de entregas da própria Ambev, fez nada menos que 27 milhões de entregas de bebida em 2020. Os dependentes de álcool, que bebiam na rua com amigos ou no happy hour, viram-se obrigados a estocar bebidas em casa. 

Não é difícil entender a ascensão deste mercado. O álcool é um aparente redutor do estresse - e quem não se sentiu estressado nos últimos meses, com tantas incertezas sobre o futuro, com o isolamento social, o convívio forçado em casa, a saudade dos amigos e do "velho normal"? Só que, na verdade, o álcool é um péssimo ansiolítico. Ele estimula o centro de recompensa cerebral, liberando a dopamina e, com isso, atingindo uma sensação de prazer. No caso especifico do estresse, o álcool também libera um neurotransmissor chamado gaba e reduz a neurotransmissão glutamato. Mas no uso continuado do álcool, esse processo se inverte: a neurotransmissão gaba fica menor e a neurotransmissão glutamato fica maior. O resultado é um aumento da sensação de estresse e da ansiedade. Para curar-se do mal, toma-se o veneno. 

De engano semelhante vive o cigarro. Equivocadamente associado a momentos de relaxamento - embora saiba-se seu danoso impacto no sistema respiratório e cardiovascular -, a venda de tabaco voltou a crescer no Brasil em 2020, depois de pesquisas realizadas em 2019 apontarem queda no percentual de indivíduos que fumam. Segundo a Fiocruz, o consumo de cigarro no Brasil aumentou em 34%. O crescimento foi atribuído, principalmente, à pandemia, quadros de depressão, ansiedade e insônia. 

A tese de que o isolamento social poderia acabar sendo benéfico para alguns alcoolistas e fumantes, tendo em vista a ausência de estímulos condicionados externos - a festa, os amigos e toda a entourage que o consumo condiciona - não se concretizou. Agora, 16 meses depois do início da pandemia, algumas pessoas começaram a se dar conta da "herança maldita". E, o mais importante: estão buscando ajuda. 

Segundo o Alcoólicos Anônimos, a busca por ajuda no AA triplicou no último ano, atingindo a marca de 100 pedidos de apoio por dia. De acordo com o AA, a presença de mulheres nas reuniões virtuais saltou de 5% para 41%, representando quase a metade do público em um dos momentos de maior procura na história do AA. A escalada do consumo de bebidas alcoólicas por mulheres já havia sido percebida em 2019, na Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) feita pelo IBGE: a proporção das mulheres que bebiam álcool uma vez ou mais por semana crescera 4,1% em seis anos (de 2013 a 2019). 

O estrago que a bebida alcoólica causa na saúde do brasileiro já era perceptível bem antes do coronavírus surgir. De acordo com o estudo da Organização Pan-Americana da Saúde e da OMS, publicado m abril deste ano na renomada revista científica Addiction, o consumo de álcool foi o único responsável por cerca de 85.000 mortes por ano de 2013 a 2015 nas Américas, sendo que o Brasil responde por 25% dos casos. Chama a atenção que a maioria destas mortes (64,9%) tenha ocorrido entre pessoas com menos de 60 anos. Estamos, portanto, perdendo nossos jovens para o álcool - uma das drogas mais nocivas e, no entanto, mais disseminadas e toleradas na sociedade. Se já estávamos fartos de evidências cabais do uso nocivo da bebida alcoólica antes da pandemia, deveríamos agora, finalmente, enfrentar seu consumo desenfreado como uma questão de saúde pública. 

Analice Gigliatti é Mestre em Psiquiatria pela Unifesp; professora da Escola Médica de Pós-Graduação da PUC-Rio; chefe do setor de Dependências Químicas e Comportamentais da Santa Casa do Rio de Janeiro e  diretora do Espaço Clif de Psiquiatria e Dependência Química. 





quinta-feira, 9 de setembro de 2021

Codependência Emocional: A Doença do Familiar do Dependente Químico

 


Ao pesquisar pelo termo codependência emocional na internet, percebe-se que há uma série de definições controvérsias sobre o assunto, a maioria envolvendo uma linguagem técnica. 

Em contrapartida, a explicação dada por Melody Beattie através do livro "Codependência Nunca Mais", embora resumida, é bastante clara e precisa, onde a mesma define co-dependente como um indivíduo que permite que o comportamento de outra pessoa o afete, tornando-se obcecado em controlar tal comportamento. 

Como os co-dependentes agem?

Na verdade não são apenas familiares de dependentes químicos que estão sujeitos a desenvolverem um quadro de codependência. Quem convive com uma pessoa depressiva, bipolar, jogador ou comedor compulsivo, criminoso, ninfomaníaco, esquizofrênico, ou até mesmo com um adolescente rebelde, pode se tornar inconscientemente obcecado em controlar o comportamento do outro. 

Diferente dos manipuladores, que usam estratégias para influenciar e convencer a vítima a fazer as suas vontades, o co-dependente vive angustiado e excessivamente preocupado com o bem estar dos demais, seja de um filho (a), cônjuge, mãe/pai, etc. São genuinamente carinhosos, cuidadosos, protetores e contraditoriamente compreensivos, porém, o problema está na falta de limites ao imprimir essas qualidades. 

Tal comportamento é extremamente prejudicial tanto para quem o possui quanto para as pessoas as quais se relaciona. 

O co-dependente capta as emoções do outro e as transforma em suas próprias emoções, abandonando o "seu eu interior" para interiorizar os sentimentos alheios, ou seja, se alguém que ele cuide e ama não está feliz, o mesmo também não consegue sentir-se feliz, exatamente por pensar que é o responsável pela felicidade do seu "protegido". 

Exemplo: Imagine um relacionamento onde a mãe de um dependente químico acompanha o declínio do mesmo por causa do uso de drogas e obviamente tenta livrá-lo dessa situação dando conselhos e até discutindo ou aplicando um castigo como forma de punição, mas sem sucesso. 

Então a mãe acaba recorrendo à internação do filho como sua última esperança. Porém, após várias recaídas ela acredita que seus esforços foram em vão, e por não estar emocionalmente preparada para lidar com a doença dele, a mesma desenvolve comportamentos co-dependentes. Começa a dizer frases como: 

  • Por que você faz isso comigo? Ela sente que os danos causados pela droga a afetam tanto quanto o filho.
  • Por que você está fazendo isso? Não entende que o dependente químico não possui pleno controle sobre as próprias ações, pois o cérebro está sob constante efeito das substâncias. 
  • Onde foi que eu errei? Essa frase configura o sentimento de culpa do co-dependente. 
  • Por que você não deixa eu te ajudar? Ela não consegue reconhecer seus esforços para ajudá-lo e por não haver melhora no quadro de dependência, a mesma sente-se impotente. 
  • Me conta o que está havendo com você. Apesar de saber exatamente o que se passa com o filho, ela busca avidamente a causa ou algo que justifique o comportamento dele. 
Também apresenta comportamentos controladores e invasivos como: 
  • Segui-lo até os lugares onde ele frequenta;
  • Vasculhar seus pertences pessoais como bolsa, mochila, carteira, gavetas, etc.;
  •  Tentar ou impedir que ele saia de casa;
  • Ligar diariamente para amigos e familiares de amigos, ou colegas de trabalho para saber sobre ele.
Enfim, ao invés de se reerguer para prestar apoio emocional, o co-dependente acaba se entregando. 

O co-dependente acredita que se o outro estiver bem ele automaticamente também estará, sendo assim, ambos tornam-se vítimas de um ciclo vicioso. 

Pessoas que desenvolvem codependência ao assistir algo ruim no noticiário ou ouvir um desabafo de uma amiga que está passando por problemas, por exemplo, ficam extremamente frustradas quando não conseguem reverter ou amenizar o problema, ou seja, seu humor e estado emocional é constantemente influenciado por pessoas e eventos alheios. 

Sou co-dependente. E agora?

O primeiro passo para libertar-se dessa condição é o autoconhecimento, se conhecer o suficiente para analisar seus comportamentos sendo imparcial consigo e com as pessoas as quais se relaciona. 

É importante ressaltar que a codependência não se trata de empatia, mas de um comportamento narcisista no qual o indivíduo fica vulnerável a fatores externos e busca controlar pessoas e situações como tentativa de autodefesa, a fim de amenizar sentimentos depressivos como a sensação de impotência, culpa e incapacidade. 

Caso você se reconheça como co-dependente é recomendado buscar tratamento com um profissional terapeuta ou psicólogo, que o ajudará a lidar com questões relacionadas a transtornos da mente, bem como a agir diante dos fatores externos agravantes da doença. 





quarta-feira, 1 de setembro de 2021