sexta-feira, 31 de julho de 2020

Como a maconha afeta o cérebro

Conheça os principais efeitos colaterais da Maconha

                                                                                               


                            
  Dr. Arthur Frazão
   

    


     



     




A maconha, também conhecida como cannabis ou marijuana, é um tipo de droga alucinógena que causa sensações consideradas agradáveis no momento do seu uso, como relaxamento aguçamento dos sentidos, euforia e alterações no nível de consciência.

Entretanto, estes efeitos acontecem às custas de alterações no desempenho de diversas funções cerebrais, interferindo no pensamento, atenção, concentração, memória, sentimentos, coordenação motora e capacidade intelectual, por exemplo.

 Além disso, tem-se observado que o uso contínuo da maconha também pode causar efeitos negativos em outros órgãos do organismo, muitos deles duradouros, mesmo após interrupção do uso.

1. Efeitos no cérebro

O princípio ativo da maconha, chamado de tetrahidro-cannabidiol, se liga a receptores cerebrais causando interferências no seu funcionamento. Os principais efeitos colaterais do seu uso crônico incluem:

  •          Dificuldades de aprendizado e memória;
  •          Apatia;
  •          Perda da motivação e da produtividade;
  •          Dor de cabeça;
  •          Irritabilidade;
  •          diminuição da coordenação motora;
  •          Alteração da capacidade visual.

Além disso, também podem ser provocados efeitos emocionais e psiquiátricos, como aumento das chances de ansiedade, depressão ataques de pânico, tentativas de suicídio e desenvolvimento de esquizofrenia. 

2. Efeitos no sistema digestivo

O uso da maconha provoca alterações na regulação da digestão, provocando náuseas, vômitos e dor abdominal, que podem piorar com o uso frequente.

3. Efeitos no sistema respiratório

No momento do uso, a maconha pode ter efeito dilatador dos brônquios, por relaxar os seus músculos. Entretanto, a fumaça inalada aos pulmões contém substâncias irritantes que podem causar uma intensa inflamação no sistema respiratório. Algumas das consequências são:

  •         Congestão nasal;
  •         Piora da asma;
  •         Bronquite;
  •         Infecções respiratórias frequentes.

Os usuários da maconha apresentam tosse e pigarros tanto quanto os fumadores de cigarro, e há indícios que também podem aumentar o risco de desenvolvimento de enfisema ou câncer pulmonar.

4. Efeitos no sistema cardiovascular

O uso da maconha provoca alterações nos batimentos cardíacos e na pressão arterial, que costumam ser passageiros. Entretanto, existem evidência que o uso crônico desta droga aumente o risco do desenvolvimento de doenças cardiovasculares, como infarto, AVC e insuficiência cardíaca. 

5. Efeitos no sistema reprodutor

O consumo de maconha aumenta as chances de infertilidade, tanto feminina quanto masculina, pelos seguintes motivos:

  •         Reduz os níveis de testosterona;
  •         Diminuição da libido;
  •         Produção de espermatozoides defeituosos, que não conseguem alcançar o óvulo;
  •         Afeta a capacidade de implantação do embrião no útero;
  •         Alterações no ciclo menstrual.

Isto provavelmente acontece pois os órgãos reprodutores têm alta concentração de receptores do princípio ativo da maconha, o que provoca a interferência no seu funcionamento com o uso crônico e excessivo da droga. 



Estes efeitos colaterais surgem geralmente quando a planta é utilizada indevidamente, sem orientação do médico e em quantidades exageradas, e sem ser na forma de remédios. Saiba mais sobre quando a maconha pode ser usada como Planta Medicinal em Maconha Medicinal


Um remédio que é feito a partir da maconha é o Canabidiol, um medicamento que tem as propriedades terapêuticas da maconha, mas que não tem o efeito viciante para o organismo que a planta tem.

No Brasil, não é possível comprar remédios feitos a partir de maconha, por falta de aprovação da Anvisa, porém estes podem ser comprados em outros países que aprovam a sua utilização como Estados Unidos, Canadá, Uruguai e Israel.



quinta-feira, 23 de julho de 2020

Álcool: Uso seguro, abuso e dependência

Você sabe qual a diferença do beber seguro, do uso abusivo e da dependência do álcool? 

Já parou para se perguntar se o fato de beber diariamente e  seu organismo não sentir os efeitos disso possa não ser porque ele é forte e sim porque está desenvolvendo uma tolerância cada vez maior e que isso poderá trazer sérios problemas no futuro?

Você sabe que o beber seguro do homem é diferente do beber seguro da mulher? 

Nesse vídeo com o Prof. Dr. Ronaldo Laranjeira, diretor da UNIAD (Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas), você terá respostas para essas perguntas e muito mais. No caso de dependência, faça o melhor que puder por você mesmo, procure ajuda!






quinta-feira, 16 de julho de 2020

A Família que faz a diferença no enfrentamento ao abuso e dependência de Drogas - Parte 2

DANDO CONTINUIDADE AO TEXTO " A FAMÍLIA QUE FAZ A DIFERENÇA NO ENFRENTAMENTO AO ABUSO E DEPENDÊNCIA DE DROGAS" APRESENTAREI OS FATORES DE RISCO E PROTEÇÃO.

Laura Fracasso - Psicóloga Clínica

Parte 2    

Fatores de risco e proteção no cuidar e educar

É importante conhecer o potencial de risco e os fatores de proteção existentes na família porque podem contribuir para mudar o curso de um acontecimento.


Riscos

  • Pais abusadores ou dependentes, por seus exemplos de conduta;
  • Isolamento social entre os membros e segredos familiares;
  • Relações conflituosas ou excessivamente permissivas;
  • Falta de estímulo da família para os estudos, lazer e outras práticas laborais;
  • Ausência do elemento paterno, agressividade e relações disfuncionais;
  • Inexistência de diálogo e afetividade na comunicação entre os membros, acarretando resistência ao assunto e, portanto, ao tratamento;
  • Ausência e descontinuidade de critérios na aplicação de regras familiares e limites;
  • Desinteresse dos pais pelas atividades e conquistas dos filhos e na participação de seus sucessos e fracassos;
  • Tolerância dos pais em relação ao consumo de álcool e tabaco;
  • Falta de informação sobre as drogas;
  • Crises socioeconômicas;
  • Incoerência e incongruência dos pais quanto ao padrão educacional a ser adotado para os filhos;
  • Expectativas negativas em relação aos filhos, aos cônjuges e companheiros;
  • Pais que não fornecem um bom modelo social e que, portanto, não transmitem as normas e valores morais socialmente aceitos.

 Proteção

  • Vinculação familiar com o desenvolvimento de valores, boa interação entre os membros;
  • Compartilhamento de tarefas no lar;
  • Diálogo e troca de informações entre os membros sobre suas rotinas e práticas diárias;
  • Valorização de um padrão de vida saudável na família;
  • Laços afetivos significativos entre os membros;
  • Estímulo e valorização da educação formal;
  • Expectativas positivas em relação aos filhos e aos demais membros da família;
  • Predomínio de estilo compreensivo de vida sem autoritarismo ou permissividade, mas com limites;
  • Relação de confiança entre pais e filhos;
  • Manifestação de interesse dos pais pela vida dos filhos e participação nos sucessos e fracassos dos mesmos;
  • Presença e constância de critérios claros na aplicação de regras disciplinares e desenvolvimento de valores no ambiente familiar;
  • Presença dos pais como modelos positivos quanto às questões sociais e morais e cultivo de valores familiares;
  • Postura clara e assertiva quanto ao uso de drogas pelos membros da família.

QUESTÕES PARA OS PAIS RESPONDEREM E COMPARTILHAREM  ENTRE SI

  1. Escreva três qualidades que você mais admira em cada um dos seus filhos ou suas filhas.
  2. Escreva três limitações que causam preocupação com cada um dos seus filhos ou suas filhas e que requerem mais atenção.
  3. Quais são seus medos em relação aos filhos ou filhas?
  4. Já se sentiu mal sobre como os educa? O que fez quando se sentiu assim?
  5. O que você mais admira em si como pai ou mãe?
  6. Caso tenha um companheiro ou companheira, o que mais admira nessa pessoa como pai ou mãe?
  7. Com quem você conta quando não sabe lidar com seu filho ou sua filha?
  8. O que você gostaria de dizer aos outros pais a partir de sua experiência como pai ou mãe? Registre aqui  sua mensagem.

Espero que todos possam ter feito reflexões que os ajudem não apenas a lidar com as dificuldades do dia a dia como também a identificar e valorizar o que a família tem apresentado de pontos fortes.

 JUNGERMAN, Flávia S. e ZANELATTO, Neide A. Tratamento psicológico do usuário de maconha e seus familiares: um manual para terapeutas. São Paulo: Roca, 2007

Fonte: http://clinicalibertamente.com.br/a-familia-que-faz-a-diferenca-parte-2/


quinta-feira, 9 de julho de 2020

A Família que faz a diferença no enfrentamento ao abuso e dependência de Drogas – Parte I

A FAMÍLIA QUE FAZ A DIFERENÇA NO ENFRENTAMENTO AO ABUSO E DEPENDÊNCIA DE DROGAS: O QUE É PRECISO SABER PARA QUE A SUA SEJA UMA DELAS!

Laura Fracasso - Psicóloga Clínica



A sociedade tem passado por várias modificações o que, consequentemente, modifica também o conceito de FAMÍLIA.

“Família pode ser entendida como um conjunto de pessoas que fazem parte de um mesmo núcleo vivendo sob um mesmo teto, com pai e mãe trabalhando, ou como um conjunto maior englobando parentes próximos que vivem juntos, ou com filhos apenas com um dos pais, ou avós cuidando de seus netos, ou uma família reorganizada a partir de duas famílias, cujos cônjuges se separaram, ou ainda pessoas do mesmo sexo convivendo com ou sem filhos”. (JUNGERMAN, F. S. e ZANELATTO, N. A., 2007)

 Ainda hoje, há pessoas que julgam e agem preconceituosamente com famílias que não se encaixam no modelo tradicional. É comum ouvirmos frases do tipo: “Também, com uma família daquelas, não podia dar outra coisa…”, evidenciando os pré-julgamentos que são feitos constantemente. A influência das famílias é realmente importante, mas não se pode opinar sobre uma realidade que não se conhece com alguma profundidade. Ao falarmos de família devemos considerar a formação por laços de sangue, adoção, afeto e outros. O mais importante a ser considerado é que a família é fundamental para o cuidado e a proteção de seus membros.

Segundo Jungerman e Zanelatto (2007), vários trabalhos na literatura atual abordam a dependência de drogas como um fenômeno que afeta não somente o usuário, mas também seu sistema familiar, mostrando a importância do estudo do funcionamento relacional destas famílias.

 Não existe família perfeita!

 As famílias são diferentes entre si e cada uma apresenta dificuldades e capacidades próprias na construção da sua história. Enfrentam crises, conflitos e se desenvolvem conforme suas condições biopsicossociais, econômicas e espirituais. Cada membro lida a seu modo com os problemas, com os recursos que dispõem, com a participação na comunidade, os amigos, as pessoas e as instituições e serviços com os quais podem contar… A forma que cada família constrói para lidar com todas essas situações é importante para que possa cumprir seu papel de CUIDAR e EDUCAR.

É fato que, para algumas famílias, as dificuldades e situações de risco enfrentadas parecem maiores que seus recursos internos. É fundamental valorizar os pontos fortes e elucidar os pontos a melhorar, por mais difícil que seja o desafio vivenciado no momento.

O que é ser responsável por uma família nesta sociedade que nos traz inúmeros desafios no cotidiano?

“Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é” (Caetano Veloso)

Como diz a música, apenas o indivíduo sabe de suas experiências vividas, desafios, dificuldades, inseguranças, medos, inquietações e, por essa razão, também das suas possibilidades de crescimento.

 Quem nunca teve dificuldades para decidir a respeito de um pedido de um filho? E, depois de decidido, quem nunca teve dúvidas se a decisão tomada foi, realmente, a melhor? Estes dois questionamentos fazem parte da rotina de pais, mães e responsáveis que estão, de fato, comprometidos em CUIDAR e EDUCAR. Para tanto, não existe receita pronta, nem manual de instrução, mas podemos trazer algumas reflexões que podem ajudar e que devem ser feitas com todos os membros da família. A saber:

  • Seu papel é fundamental, tanto o de acolher e cuidar dos membros da família quanto o de estabelecer regras claras e coerentes;
  • Aproveite a sabedoria que você adquiriu ao longo de sua história! As experiências e as dificuldades vividas geram conhecimentos e habilidades para lidar com as várias situações que surgem na vida;
  • O afeto e a confiança na família são verdadeiros aliados para que os limites possam ser colocados de forma tranquila e construtiva;
  • Educar é também dizer “NÃO” na hora certa, explicando as razões da negativa. Filhos que compreendem que não podem ter tudo o que querem aprendem a lidar com frustrações. Filhos para os quais nada é negado não estarão preparados para as dificuldades da vida;
  • Alguns pais e ou responsáveis incluem na receita de educação e cuidado dos filhos excesso de proteção (superproteção) ou proteção de menos (negligência). Na superproteção, os pais acreditam que os filhos são frágeis e que, portanto, precisam ser poupados de tudo o que possa causar incômodo ou gerar dificuldades. Na negligência, os pais, por vários motivos, deixam de cuidar, de repreender ou de proteger quando necessário. Os dois extremos podem trazer muitos danos para a pessoa que está no processo de crescimento.
  • É fundamental reconhecer aquilo que os filhos fazem de bom, pois isso fortalece a autoestima deles. Portanto, elogie as conquistas e os bons comportamentos. Todo mundo gosta de ser reconhecido! Isso ajudará seu filho ou sua filha a confiar em si e na sua capacidade de realizar algo bom;
  • Evite comparações! Comparar não vai fazer seu filho ou sua filha se comportar como você quer. Comparações pode fazer com que a pessoa se sinta desvalorizada. Em alguns casos, esse sentimento pode provocar uma atitude contrária à esperada;

  • Procure informações sobre o que ocorre com o corpo e a mente na fase de desenvolvimento em que seu filho ou sua filha se encontra. Isso o ajudará a compreender suas ações, sentimentos e pensamentos. Ouvir a pessoa verdadeiramente, conversar com ela e tentar entender o seu ponto de vista é positivo para ela e importante para sua família como um todo.
Na próxima quinta, daremos continuidade nesse artigo onde Laura Fracasso publica fatores de risco e de proteção, apresentando algumas questões que se pode fazer em família.