quinta-feira, 20 de agosto de 2020

CT Terra Santa e a Pandemia de COVID-19

 Desde que se iniciou a Pandemia de COVID 19, as Comunidades Terapêuticas teve seu processo de acolhimento interrompido, porém se faz necessário o atendimento e acolhimento dessas pessoas que estão em sofrimento e necessitando ser acolhidos em regime voluntário e gratuito.

Para isso a Febract (Federação Brasileira de Comunidades Terapêuticas), lançou o Manual de Orientação para Comunidades Terapêuticas, um guia para novos acolhimentos, visitas e saídas.

Como consta no Manual “infelizmente o COVID-19 perdurará por tempo indeterminado entre todos nós, e as Comunidades Terapêuticas precisam se organizar para realizar os procedimentos de novos acolhimentos, principalmente considerando que o público atendido pelas CTs tem grandes chances de estar contaminado com COVID-19 em razão de sua vulnerabilidade social”.

Sendo assim, a CT Terra Santa teve que se reestruturar em seu espaço físico para receber novos acolhidos em regime de quarentena, onde os recém chegados ficarão em espaço próprio, separados dos demais espaços e acolhidos da CT, por 14 dias, onde ficarão em observação.













Contudo, não basta apenas separar. É necessário também uma equipe exclusiva para o atendimento dos acolhidos no espaço de quarentena, bem como Plano Terapêutico próprio para esse período. 

A CT Terra Santa após reestruturação e reforma do espaço, montou seu Plano de Atenção ao COVID-19, optando por fazer esse período de quarentena com dois acolhidos de cada vez, direcionando  dois profissionais exclusivos para esse atendimento, a psicóloga Najlah e conselheiro (sócio-educador) Thiago.


Para que o processo de quarentena seja seguro é necessário o cumprimento de algumas regras que estão estabelecidas no Plano de Atenção da Terra Santa, conforme orientações do Manual:

  • Os novos acolhimentos devem ser feitos em bloco, ou seja, ambos devem chegar no mesmo dia, determinando o tempo zero.
  •  É obrigatório o uso de máscaras.
  •   Monitorar diariamente os acolhidos quanto à febre, sintomas respiratórios e outros sinais e sintomas da COVID-19.
  •   Uma boa articulação com a Saúde, para socorro imediato no Centro de Enfrentamento ao COVID-19 de Colina, ao sinal de qualquer sintoma.
  •  Orientações aos acolhidos sobre todos os protocolos de segurança como: higienização correta das mãos, etiqueta de tosse, distanciamento pessoal, o não compartilhamento de objetos pessoais.
  •  Garantir o acesso dos acolhidos ao material de higienização e demais EPIs.
  •  Os profissionais exclusivos para esse atendimento devem fazer uso dos  EPIs necessários para sua segurança como: máscaras, protetor facial, avental, luvas e touca, que devem ter o seu fornecimento garantido pela CT.  
  • Esses profissionais não deverão ter contato com as demais dependências da CT Terra Santa, bem como com os demais acolhidos que já saíram do período de quarentena.
  •  As atividades do Plano Terapêutico deverão respeitar o distanciamento social e os atendimentos psicológicos serão feitos em espaço aberto (ar livre), garantindo assim o sigilo e privacidade do atendimento.
  • Os atendimentos com a assistente social, durante esse período será feito por chamada de vídeo. 
  • O contato familiar acontecerá normalmente através de chamada de vídeo, com o uso  de um celular próprio para utilização desses acolhidos. 
  • A alimentação, preparada na cozinha da Terra Santa, será acondicionada em utensílio exclusivos, e servida pelo profissional da quarentena, utilizando pratos e talheres descartáveis. 

Nosso desejo é que a CT Terra Santa possa continuar sendo referência de acolhimento em nossa região, mesmo em tempos de pandemia,  e que possamos seguir melhorando cada vez mais para atender àqueles que necessitam de uma nova chance de recomeço, aprendendo as ferramentas necessárias para construir um novo estilo de vida.

Maiores informações pelos telefones: (17) 3341-4066, (17) 99676-5697 e (17) 99645-71-34. 

quinta-feira, 6 de agosto de 2020

EFEITOS COLATERAIS DA COCAÍNA

A cocaína é uma substância extraída da folha de coca (Erythroxylum coca), planta encontrada nas Américas do Sul e Central. Sintetizada em laboratório, essa droga traz efeitos devastadores e irreversíveis, já que age instantaneamente no organismo humano e atua no sistema nervoso.

Qualquer droga tem efeitos significativos no corpo e alguns deles são irreversíveis. A cocaína é considerada uma das drogas mais perigosas que existem, por isso, seus efeitos e malefícios quase que triplicam se comparados a outros tipos de substâncias.

Contudo, apesar dos malefícios e da proibição, infelizmente, essa droga é muito consumida, até mesmo nas estradas brasileiras por motoristas de caminhão que desejam ter uma “resistência” maior para encarar os longos períodos de viagem.  Porém, a grande maioria de pessoas que começam o uso da cocaína não conhecem realmente os riscos e malefícios dos efeitos dessa droga.


É comumente, consumida por aspiração nasal, mas também pode ser injetada. Por aspiração, o efeito da cocaína demora 10 minutos, aproximadamente, para acontecer. Já por via intravenosa ela é instantânea e, em ambos os casos, costumam durar 30 minutos.

Os efeitos de quem aspira ou injeta o pó (Cocaína) já é perceptível nos momentos iniciais ao consumo, agindo instantaneamente no corpo humano. Ela afeta principalmente as atividades cerebrais e influencia na capacidade motora e sensorial do corpo da pessoa. Isso resulta em sintomas como:

  • Nervosismo extremo

  • Delírios,

  • Insônias,

  • Alucinações

  • E constipação.

A cocaína também aumenta a frequência cardíaca, elevando a chance de infarto, mesmo em pessoas jovens.

Com a persistência no uso de cocaína, é possível que ocorra:

  • Sangramentos pelo nariz,

  • Náuseas,

  • Perda de controle,

  • Euforia

  • E agressividade.

Além disso, a dependência começa a se tornar inevitável.

Quando o uso da droga já se tornou contínuo, as reações se transformam em perda de memória, hemorragias, depressão, nervoso excessivo, comportamento descontrolado e isolamento. Os malefícios se tornam ainda mais sérios, como a destruição dos neurônios, lesões no fígado, como câncer hepático, grande chance de infarto, esquizofrenia, mau funcionamento dos rins e dos nervos, doenças psíquicas e muito mais.

Não é incomum que isso aconteça, porque muitos acreditam poder controlar o vício, porém o uso da cocaína resulta em dependência.

O que acontece com o nariz de quem aspira a cocaína

Depois do uso frequente e prolongado da inalação da cocaína, o nariz do usuário pode ser severamente comprometido, ocasionando em diversos problemas, como por exemplo, a perfuração do septo nasal, provocando inúmeras infecções difíceis de serem tratadas.

Outras regiões próximas que podem ser afetadas pelo uso constante da cocaína, e que podem ser extremamente prejudicial, são: céu da boca, cartilagem nasal, gengivas e dentes. 

A seguir você pode conhecer de forma mais detalhada os reais riscos causados por essa substância. Veja os seis principais efeitos da cocaína no sangue:

Conforme a droga percorre a corrente sanguínea até chegar ao sistema nervoso central, afeta diretamente vários órgãos.

1. INTENSA SENSAÇÃO DE EUFORIA

O uso da cocaína provoca no cérebro o aumento do estado de alerta, da sociabilidade e da autoconfiança, além de reduzir a necessidade de dormir, o cansaço e o apetite.

Isso acontece devido à sobrecarga do psicoativo conhecido como dopamina, responsável por proporcionar os efeitos da droga.

 2. DIFICULDADES CARDIOVASCULARES

Essa droga tem capacidade de aumentar a pressão arterial, o consumo de oxigênio para o coração e a frequência cardíaca, dilatando as pupilas. Após o consumo de cocaína, o indivíduo também pode desencadear isquemia, arritmias, angina e até mesmo infarto e AVC.

3. PROBLEMAS RESPIRATÓRIOS

O fato do consumo de cocaína geralmente ser por via nasal faz com que o usuário tenha sinusite, rinite crônica, úlceras de orofaringe, perfuração do septo nasal e também necrose da mucosa nasal.

No entanto, ainda que inalada por fumo, a substância pode causar lesões pulmonares, queimaduras das vias áreas superiores e até mesmo uma embolia ou hemorragia pulmonar.

4. SÍNDROME DO PULMÃO DO CRACK

É uma hemorragia nos alvéolos pulmonares devido ao fumo constante de crack. Nesse caso, o dependente apresenta falta de ar, tosse com possível escarro sanguinolento, febre e insuficiência respiratória, precisando ser intubado e respirar por meio de ventilação mecânica.

5. TRANSTORNO GASTROINTESTINAL

Outro efeito negativo que o uso da cocaína pode ocasionar é a elevada taxa de perfurações e úlceras gástricas, bem como colite isquêmica e complicações intestinais.

Isso porque quando o suco gástrico (ácido) choca-se com outros componentes da cocaína (base) para neutralizar o processo, o estômago produz mais substâncias que, consequentemente, fazem surgir as primeiras feridas.

6. COMPLICAÇÕES NOS RINS E FÍGADO

O usuário de cocaína pode comprometer o funcionamento dos rins e fígado, pois quando a substância percorre os vasos sanguíneos, esses dois órgãos são igualmente afetados por insuficiências severas, que têm possibilidade inclusive de causar óbito.

RISCOS DA UTILIZAÇÃO EM LONGO PRAZO

A cocaína é uma substância de fácil metabolização pelo organismo, fazendo com que sua ação seja rápida e o indivíduo procure consumi-la com frequência. As doses são maiores, para sentir o mesmo efeito e aliviar os sintomas de estresse e constante estado de tensão.

Contudo, essa condição, além de causar danos à saúde, aumentando a sensação de angústia e explosões de raiva, também leva a um severo vício. A pessoa se torna psicótica, o que interfere na maneira como o cérebro funciona.

Por isso, existem diversos programas de tratamento para pessoas com TUS, (Transtorno por Uso de Subtância) que fazem da terapia uma forma positiva de lidar com a situação e afastar o uso dessa substância. Por ser uma condição delicada, é essencial o apoio dos amigos e familiares nesse processo, para que o usuário consiga atingir o objetivo.

Se você se encontra nessa situação, como usuário ou como familiar, que necessita de ajuda e orientação de como iniciar um tratamento voluntário, procure o sistema de saúde (SUS) de sua região (Caps, Caps Ad, UBS,...) ou em algumas regiões o SUAS (Promoção Social, CRAS, CREAS) e busque orientação sobre as maneiras que poderá ingressar nos Programas de Governo que oferecem esse tratamento de forma totalmente gratuita e de caráter voluntário. 

Fontes: 

https://www.exametoxicologico.com.br/exame-toxicologico-efeitos-cocaina/


sexta-feira, 31 de julho de 2020

Como a maconha afeta o cérebro

Conheça os principais efeitos colaterais da Maconha

                                                                                               


                            
  Dr. Arthur Frazão
   

    


     



     




A maconha, também conhecida como cannabis ou marijuana, é um tipo de droga alucinógena que causa sensações consideradas agradáveis no momento do seu uso, como relaxamento aguçamento dos sentidos, euforia e alterações no nível de consciência.

Entretanto, estes efeitos acontecem às custas de alterações no desempenho de diversas funções cerebrais, interferindo no pensamento, atenção, concentração, memória, sentimentos, coordenação motora e capacidade intelectual, por exemplo.

 Além disso, tem-se observado que o uso contínuo da maconha também pode causar efeitos negativos em outros órgãos do organismo, muitos deles duradouros, mesmo após interrupção do uso.

1. Efeitos no cérebro

O princípio ativo da maconha, chamado de tetrahidro-cannabidiol, se liga a receptores cerebrais causando interferências no seu funcionamento. Os principais efeitos colaterais do seu uso crônico incluem:

  •          Dificuldades de aprendizado e memória;
  •          Apatia;
  •          Perda da motivação e da produtividade;
  •          Dor de cabeça;
  •          Irritabilidade;
  •          diminuição da coordenação motora;
  •          Alteração da capacidade visual.

Além disso, também podem ser provocados efeitos emocionais e psiquiátricos, como aumento das chances de ansiedade, depressão ataques de pânico, tentativas de suicídio e desenvolvimento de esquizofrenia. 

2. Efeitos no sistema digestivo

O uso da maconha provoca alterações na regulação da digestão, provocando náuseas, vômitos e dor abdominal, que podem piorar com o uso frequente.

3. Efeitos no sistema respiratório

No momento do uso, a maconha pode ter efeito dilatador dos brônquios, por relaxar os seus músculos. Entretanto, a fumaça inalada aos pulmões contém substâncias irritantes que podem causar uma intensa inflamação no sistema respiratório. Algumas das consequências são:

  •         Congestão nasal;
  •         Piora da asma;
  •         Bronquite;
  •         Infecções respiratórias frequentes.

Os usuários da maconha apresentam tosse e pigarros tanto quanto os fumadores de cigarro, e há indícios que também podem aumentar o risco de desenvolvimento de enfisema ou câncer pulmonar.

4. Efeitos no sistema cardiovascular

O uso da maconha provoca alterações nos batimentos cardíacos e na pressão arterial, que costumam ser passageiros. Entretanto, existem evidência que o uso crônico desta droga aumente o risco do desenvolvimento de doenças cardiovasculares, como infarto, AVC e insuficiência cardíaca. 

5. Efeitos no sistema reprodutor

O consumo de maconha aumenta as chances de infertilidade, tanto feminina quanto masculina, pelos seguintes motivos:

  •         Reduz os níveis de testosterona;
  •         Diminuição da libido;
  •         Produção de espermatozoides defeituosos, que não conseguem alcançar o óvulo;
  •         Afeta a capacidade de implantação do embrião no útero;
  •         Alterações no ciclo menstrual.

Isto provavelmente acontece pois os órgãos reprodutores têm alta concentração de receptores do princípio ativo da maconha, o que provoca a interferência no seu funcionamento com o uso crônico e excessivo da droga. 



Estes efeitos colaterais surgem geralmente quando a planta é utilizada indevidamente, sem orientação do médico e em quantidades exageradas, e sem ser na forma de remédios. Saiba mais sobre quando a maconha pode ser usada como Planta Medicinal em Maconha Medicinal


Um remédio que é feito a partir da maconha é o Canabidiol, um medicamento que tem as propriedades terapêuticas da maconha, mas que não tem o efeito viciante para o organismo que a planta tem.

No Brasil, não é possível comprar remédios feitos a partir de maconha, por falta de aprovação da Anvisa, porém estes podem ser comprados em outros países que aprovam a sua utilização como Estados Unidos, Canadá, Uruguai e Israel.



quinta-feira, 23 de julho de 2020

Álcool: Uso seguro, abuso e dependência

Você sabe qual a diferença do beber seguro, do uso abusivo e da dependência do álcool? 

Já parou para se perguntar se o fato de beber diariamente e  seu organismo não sentir os efeitos disso possa não ser porque ele é forte e sim porque está desenvolvendo uma tolerância cada vez maior e que isso poderá trazer sérios problemas no futuro?

Você sabe que o beber seguro do homem é diferente do beber seguro da mulher? 

Nesse vídeo com o Prof. Dr. Ronaldo Laranjeira, diretor da UNIAD (Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas), você terá respostas para essas perguntas e muito mais. No caso de dependência, faça o melhor que puder por você mesmo, procure ajuda!






quinta-feira, 16 de julho de 2020

A Família que faz a diferença no enfrentamento ao abuso e dependência de Drogas - Parte 2

DANDO CONTINUIDADE AO TEXTO " A FAMÍLIA QUE FAZ A DIFERENÇA NO ENFRENTAMENTO AO ABUSO E DEPENDÊNCIA DE DROGAS" APRESENTAREI OS FATORES DE RISCO E PROTEÇÃO.

Laura Fracasso - Psicóloga Clínica

Parte 2    

Fatores de risco e proteção no cuidar e educar

É importante conhecer o potencial de risco e os fatores de proteção existentes na família porque podem contribuir para mudar o curso de um acontecimento.


Riscos

  • Pais abusadores ou dependentes, por seus exemplos de conduta;
  • Isolamento social entre os membros e segredos familiares;
  • Relações conflituosas ou excessivamente permissivas;
  • Falta de estímulo da família para os estudos, lazer e outras práticas laborais;
  • Ausência do elemento paterno, agressividade e relações disfuncionais;
  • Inexistência de diálogo e afetividade na comunicação entre os membros, acarretando resistência ao assunto e, portanto, ao tratamento;
  • Ausência e descontinuidade de critérios na aplicação de regras familiares e limites;
  • Desinteresse dos pais pelas atividades e conquistas dos filhos e na participação de seus sucessos e fracassos;
  • Tolerância dos pais em relação ao consumo de álcool e tabaco;
  • Falta de informação sobre as drogas;
  • Crises socioeconômicas;
  • Incoerência e incongruência dos pais quanto ao padrão educacional a ser adotado para os filhos;
  • Expectativas negativas em relação aos filhos, aos cônjuges e companheiros;
  • Pais que não fornecem um bom modelo social e que, portanto, não transmitem as normas e valores morais socialmente aceitos.

 Proteção

  • Vinculação familiar com o desenvolvimento de valores, boa interação entre os membros;
  • Compartilhamento de tarefas no lar;
  • Diálogo e troca de informações entre os membros sobre suas rotinas e práticas diárias;
  • Valorização de um padrão de vida saudável na família;
  • Laços afetivos significativos entre os membros;
  • Estímulo e valorização da educação formal;
  • Expectativas positivas em relação aos filhos e aos demais membros da família;
  • Predomínio de estilo compreensivo de vida sem autoritarismo ou permissividade, mas com limites;
  • Relação de confiança entre pais e filhos;
  • Manifestação de interesse dos pais pela vida dos filhos e participação nos sucessos e fracassos dos mesmos;
  • Presença e constância de critérios claros na aplicação de regras disciplinares e desenvolvimento de valores no ambiente familiar;
  • Presença dos pais como modelos positivos quanto às questões sociais e morais e cultivo de valores familiares;
  • Postura clara e assertiva quanto ao uso de drogas pelos membros da família.

QUESTÕES PARA OS PAIS RESPONDEREM E COMPARTILHAREM  ENTRE SI

  1. Escreva três qualidades que você mais admira em cada um dos seus filhos ou suas filhas.
  2. Escreva três limitações que causam preocupação com cada um dos seus filhos ou suas filhas e que requerem mais atenção.
  3. Quais são seus medos em relação aos filhos ou filhas?
  4. Já se sentiu mal sobre como os educa? O que fez quando se sentiu assim?
  5. O que você mais admira em si como pai ou mãe?
  6. Caso tenha um companheiro ou companheira, o que mais admira nessa pessoa como pai ou mãe?
  7. Com quem você conta quando não sabe lidar com seu filho ou sua filha?
  8. O que você gostaria de dizer aos outros pais a partir de sua experiência como pai ou mãe? Registre aqui  sua mensagem.

Espero que todos possam ter feito reflexões que os ajudem não apenas a lidar com as dificuldades do dia a dia como também a identificar e valorizar o que a família tem apresentado de pontos fortes.

 JUNGERMAN, Flávia S. e ZANELATTO, Neide A. Tratamento psicológico do usuário de maconha e seus familiares: um manual para terapeutas. São Paulo: Roca, 2007

Fonte: http://clinicalibertamente.com.br/a-familia-que-faz-a-diferenca-parte-2/


quinta-feira, 9 de julho de 2020

A Família que faz a diferença no enfrentamento ao abuso e dependência de Drogas – Parte I

A FAMÍLIA QUE FAZ A DIFERENÇA NO ENFRENTAMENTO AO ABUSO E DEPENDÊNCIA DE DROGAS: O QUE É PRECISO SABER PARA QUE A SUA SEJA UMA DELAS!

Laura Fracasso - Psicóloga Clínica



A sociedade tem passado por várias modificações o que, consequentemente, modifica também o conceito de FAMÍLIA.

“Família pode ser entendida como um conjunto de pessoas que fazem parte de um mesmo núcleo vivendo sob um mesmo teto, com pai e mãe trabalhando, ou como um conjunto maior englobando parentes próximos que vivem juntos, ou com filhos apenas com um dos pais, ou avós cuidando de seus netos, ou uma família reorganizada a partir de duas famílias, cujos cônjuges se separaram, ou ainda pessoas do mesmo sexo convivendo com ou sem filhos”. (JUNGERMAN, F. S. e ZANELATTO, N. A., 2007)

 Ainda hoje, há pessoas que julgam e agem preconceituosamente com famílias que não se encaixam no modelo tradicional. É comum ouvirmos frases do tipo: “Também, com uma família daquelas, não podia dar outra coisa…”, evidenciando os pré-julgamentos que são feitos constantemente. A influência das famílias é realmente importante, mas não se pode opinar sobre uma realidade que não se conhece com alguma profundidade. Ao falarmos de família devemos considerar a formação por laços de sangue, adoção, afeto e outros. O mais importante a ser considerado é que a família é fundamental para o cuidado e a proteção de seus membros.

Segundo Jungerman e Zanelatto (2007), vários trabalhos na literatura atual abordam a dependência de drogas como um fenômeno que afeta não somente o usuário, mas também seu sistema familiar, mostrando a importância do estudo do funcionamento relacional destas famílias.

 Não existe família perfeita!

 As famílias são diferentes entre si e cada uma apresenta dificuldades e capacidades próprias na construção da sua história. Enfrentam crises, conflitos e se desenvolvem conforme suas condições biopsicossociais, econômicas e espirituais. Cada membro lida a seu modo com os problemas, com os recursos que dispõem, com a participação na comunidade, os amigos, as pessoas e as instituições e serviços com os quais podem contar… A forma que cada família constrói para lidar com todas essas situações é importante para que possa cumprir seu papel de CUIDAR e EDUCAR.

É fato que, para algumas famílias, as dificuldades e situações de risco enfrentadas parecem maiores que seus recursos internos. É fundamental valorizar os pontos fortes e elucidar os pontos a melhorar, por mais difícil que seja o desafio vivenciado no momento.

O que é ser responsável por uma família nesta sociedade que nos traz inúmeros desafios no cotidiano?

“Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é” (Caetano Veloso)

Como diz a música, apenas o indivíduo sabe de suas experiências vividas, desafios, dificuldades, inseguranças, medos, inquietações e, por essa razão, também das suas possibilidades de crescimento.

 Quem nunca teve dificuldades para decidir a respeito de um pedido de um filho? E, depois de decidido, quem nunca teve dúvidas se a decisão tomada foi, realmente, a melhor? Estes dois questionamentos fazem parte da rotina de pais, mães e responsáveis que estão, de fato, comprometidos em CUIDAR e EDUCAR. Para tanto, não existe receita pronta, nem manual de instrução, mas podemos trazer algumas reflexões que podem ajudar e que devem ser feitas com todos os membros da família. A saber:

  • Seu papel é fundamental, tanto o de acolher e cuidar dos membros da família quanto o de estabelecer regras claras e coerentes;
  • Aproveite a sabedoria que você adquiriu ao longo de sua história! As experiências e as dificuldades vividas geram conhecimentos e habilidades para lidar com as várias situações que surgem na vida;
  • O afeto e a confiança na família são verdadeiros aliados para que os limites possam ser colocados de forma tranquila e construtiva;
  • Educar é também dizer “NÃO” na hora certa, explicando as razões da negativa. Filhos que compreendem que não podem ter tudo o que querem aprendem a lidar com frustrações. Filhos para os quais nada é negado não estarão preparados para as dificuldades da vida;
  • Alguns pais e ou responsáveis incluem na receita de educação e cuidado dos filhos excesso de proteção (superproteção) ou proteção de menos (negligência). Na superproteção, os pais acreditam que os filhos são frágeis e que, portanto, precisam ser poupados de tudo o que possa causar incômodo ou gerar dificuldades. Na negligência, os pais, por vários motivos, deixam de cuidar, de repreender ou de proteger quando necessário. Os dois extremos podem trazer muitos danos para a pessoa que está no processo de crescimento.
  • É fundamental reconhecer aquilo que os filhos fazem de bom, pois isso fortalece a autoestima deles. Portanto, elogie as conquistas e os bons comportamentos. Todo mundo gosta de ser reconhecido! Isso ajudará seu filho ou sua filha a confiar em si e na sua capacidade de realizar algo bom;
  • Evite comparações! Comparar não vai fazer seu filho ou sua filha se comportar como você quer. Comparações pode fazer com que a pessoa se sinta desvalorizada. Em alguns casos, esse sentimento pode provocar uma atitude contrária à esperada;

  • Procure informações sobre o que ocorre com o corpo e a mente na fase de desenvolvimento em que seu filho ou sua filha se encontra. Isso o ajudará a compreender suas ações, sentimentos e pensamentos. Ouvir a pessoa verdadeiramente, conversar com ela e tentar entender o seu ponto de vista é positivo para ela e importante para sua família como um todo.
Na próxima quinta, daremos continuidade nesse artigo onde Laura Fracasso publica fatores de risco e de proteção, apresentando algumas questões que se pode fazer em família.