sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Um Guia para a Família do Adicto ou Usuário de Drogas (Parte 1)

Para aqueles que estão desejando a recuperação (família, amigos, namorada), podem contribuir seguindo nossa orientações e incentivando a permanência dele até o final do tratamento, e, nos dias de visita, não ceder a manipulações emocionais do tipo: "Eu já estou bom", ou "Nunca mais usarei", ou ainda, "Estou com saudades da família", "foi a pior coisa que vocês podiam fazer". Temos que compreender que já há muito tempo ele vem sendo enganado pela droga e vem enganando a todos. Amar e desejar que ele se recupere, isso exige que todos suportem juntos esse período. 

A melhor defesa de uma família para o impacto emocional do abuso de drogas é adquirir conhecimento, alcançando assim a maturidade e a coragem que são necessárias para torná-lo efetivo.  
    
Pessoas que são capazes de ajudar adictos ou usuários, fora de sua família, tornam-se confusas e destrutivas, quando um membro de sua própria família se envolve com este problema. O parente mais próximo ou a pessoa que se sentir mais responsável pelo dependente, em geral, precisa de mais assistência e orientação do que o próprio "usuário". 

Dependência química é uma doença que tem um impacto tremendo sobre os familiares mais próximos, e, os mais afetados são os pais, maridos ou mulheres, irmãs, irmãos e filhos. Quanto mais distorcidas ficam as emoções destas pessoas, mais inadequada fica a sua ajuda. A interação entre o usuário de drogas e sua família pode e frequentemente se torna destrutiva em vez de construtiva. 

Por exemplo, os mais chegados ao usuário ou adicto podem achar-se culpados por todas as suas dificuldades. Isto pode chegar a um ponto em que começam a ter medo diante da possibilidade de que isto seja verdadeiro. Contudo, a adicção é uma doença. Ninguém é responsável pela dependência de drogas de outra pessoa ou pela sua recuperação. No entanto, por falta de conhecimento, aqueles mais chegados ao dependente podem permitir que a doença passe despercebida, apoiar o seu desenvolvimento e contribuir para que o tratamento seja evitado. Através da compreensão do problema e com coragem, o familiar pode tomar atitudes que levam o dependente a uma recuperação antecipada - apesar de que esta recuperação não pode ser absolutamente assegurada. 

As pessoas diretamente envolvidas na vida do dependente não podem "tratar" da doença. Nenhum médico se automedica numa doença grave, e poucos atuarão como médicos para a sua própria família, especialmente marido e mulher, pais e filhos. A medida que o abuso de drogas progride, aqueles mais próximos do dependente ficam emocionalmente envolvidos. A melhor ajuda que eles podem dar, inicialmente, é procurar auxílio e orientação para a sua própria situação, para que eles não atuem como facilitadores apoiando o padrão progressivo da doença da dependência química. Os erros cometidos por pais e parentes próximos, cheios de boas intenções, são inacreditáveis e, na maioria das vezes, tornam mais difícil a recuperação do dependente de drogas.


Antes de mais nada, é preciso compreender que a família pode fazer tudo que é conhecido e dado como certo, porém a doença pode prosseguir incontrolada. No entanto, se a família estiver disposta a aprender os fatos reais sobre o abuso de drogas e dependência química, e fazer o uso desse conhecimento, as possibilidades de recuperação aumentam consideravelmente.  Na realidade, a melhor forma de ajudar na recuperação de qualquer adicto ou usuário é remover a ignorância, adquirir uma atitude adequada - baseada no conhecimento - e ter a coragem de praticar estes princípios, quando estiver lidando com o dependente. Começar de forma habitual, na tentativa de ajudar o dependente a parar de usar drogas, sem primeiro aprender a olhar atentamente as próprias reações e tentar fazer esforço efetivo de mudanças em si mesmo, simplesmente fará a situação piorar.

Inicialmente, precisamos compreender que os problemas da dependência química não estão somente nos químicos, mas nas pessoas que estão usando esses químicos.

No entanto, a recuperação verdadeira só começa quando a pessoa inicia o seu afastamento completo do uso de drogas, do álcool ou de outras substâncias que alteram amente. Recuperação é algo semelhante a construção de um arco gótico. Existem fundações invisíveis, muitas pessoas podem colocar várias pedras no arco, masa pedra angular ter que ser colocada pelo próprio dependente, senão a estrutura toda cai. Ninguém pode fazer pelo dependente aquilo que só ele pode fazer por si próprio. Você não pode tomar remédio pelo paciente e esperar que o paciente se beneficie. Opções e decisões tem que  ser feitas e tomadas pelo dependente, por vontade própria, para que a recuperação ocorra em bases permanentes.

É assustador como o dependente controla a família, especialmente pai e mãe, a mulher ou marido. O dependente usa drogas cada vez mais. A família berra, grita, esbraveja, implora, pede, reza, ameaça e pratica o silêncio como remédio. Mas, também, encobre, protege e defende das consequências do uso de drogas. Se o dependente continua agindo como um pequeno Deus é porque a família ajuda a manter a ilusão de onipotência. Para preservar essa neurose de onipotência (a tentativa de agir como Deus), o dependente tem duas armas primordiais: 

... continua na próxima semana. 

Fonte: Desconhecida

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