quinta-feira, 2 de agosto de 2018

O Devastador Vício do Álcool na Infância

   
Prevenção - Com Doutor Lotufo

     

     Quando o assunto é droga, muitos infelizmente se esquecem do álcool por não ser uma droga ilícita. No entanto, e até mesmo por essa razão, a substância acaba entrando mais facilmente no dia a dia das pessoas, de forma mais aceitável pela sociedade, incluindo até grupos familiares. Por isso a criança, que já possui uma maior dificuldade de distinguir o que é certo e errado, junto com a falta de informação sobre os malefícios do álcool, torna-se alvo fácil para o uso precoce dessa droga altamente prejudicial à saúde, que altera o estado de consciência e causa dependência. 

       Para falar sobre esse tema o Freemind entrevistou o assessor de direção do Hospital Universitário da USP, Dr. João Paulo Becker Lotufo. Doutor Lotufo, também conhecido como Doutor Bartô, é médico pediatra e coordenador do Projeto Antitabágico, além de ser autor de projetos de prevenção ao alcoolismo e tabagismo na infância e adolescência. Alguns de seus artigos estão em sua coluna no jornal e na rádio da USP sobre prevenção de drogas. Outros exemplos são: Projeto de Prevenção de Drogas Dr. Bartô e Projeto nas Escolas do Ensino Fundamental e Médio. 

     Dr Lotufo sabe o risco acentuado do alcoolismo causar dependência e lesões cerebrais: "O cérebro do jovem ainda não está formado. Isto acontece na verdade, aos 25 anos. Mas até os 21 há quase totalidade do amadurecimento cerebral" explica o médico ao falar sobre a restrição do consumo de álcool para menores de 21 anos nos  EUA. Infelizmente, até por uma questão cultural, jovens vêm bebendo cada vez mais cedo como uma "passagem para a vida adulta". Dr. Lotufo lamenta que muitos deles ignoram os riscos da bebida como o primeiro passo para começar a se envolver com outras drogas e acabem consumindo álcool em grande quantidade. 

     A publicidade na mídia também tem influenciado muitas crianças e adolescentes a consumirem droga. O médico relata que o consumo de cigarro diminuiu de 30 para 10% após a restrição da publicidade nos meios de comunicação e afirma: É fundamental a retirada de propaganda de bebida alcoólica da mídia, principalmente entre 6 e 21 horas". A propaganda é voltada para o jovem e causa um grande efeito negativo na sociedade. A propaganda não é feita para se divulgar as marcas e sim para que o jovem comece a beber cada vez mais cedo e cada vez mais. Este não é um problema só brasileiro, mas mundial. 

     Além da mídia, outro fator que certamente influencia é o meio social, começando pela família. Ser filho de alcoólatra ou ter membros familiares portadores de alcoolismo coloca os jovens em maior risco de desenvolver problemas com o uso de bebidas, uma vez que o exemplo de adultos bebendo em demasia ou bebendo com muita frequência ou valorizando o ato de consumir bebida alcoólica influencia os jovens. Em uma escola de classe A de São Paulo, proibiu-se a cerveja em festa junina e os pais fizeram passeata na porta da escola exigindo a mudança na decisão. Outro ponto é a genética positiva para o alcoolismo. 

     "Quando se tem alcoólicos na família como eu e minha esposa temos, é necessário alertar os filhos para tomarem cuidado com a bebida alcoólica, pois a chance de um deles partir para este lado é maior pela genética positiva na família" explica Lotufo. 

Cuidados Com Outras Drogas

      Quanto mais cedo o adolescente começar a beber, maior é a chance de passar de drogas lícitas para drogas  ilícitas. E quanto mais cedo ele experimentar drogas (incluindo o álcool), mais propenso estará para se tornar um dependente químico. Para evitar que nossos filhos entrem para o mundo das drogas, Dr. Lotufo fala sobre a importância de estarmos junto do adolescente, dando o exemplo e não sendo permissivos ou distantes, mas buscando saber com quem ele está, quais lugares frequenta e o que anda fazendo: "não ser o pai AMIGÃO: pai tem que ser pai, tem que impor limites, tem que dizer não!". O pediatra ainda alerta que quando o pai não sabe responder essas questões básicas sobre o filho, pode ser um grande sinal de alerta. "A postura dos pais é muito importante" enfatiza. 

      Além das drogas ilícitas, é importante ficar atento a algumas drogas sutis que vem entrando na sociedade e recebendo grande aceitação. Esse é o caso do Narguilé, um grande mal na adolescência, que chega a ser mais ofensivo ao organismo do que o cigarro. "Uma hora de narguilé equivale a 100 cigarros consumidos" compara o médico. 

O Que Fazer

         A prevenção é a ação mais importante do combate contra as drogas, mas também devemos nos preocupar com o momento em que se descobre que um familiar já experimentou alguma droga. Dr
Lotufo contou o caso de um pai que decidiu tirar o seu filho da escola, após ter sido chamado pela diretora, junto com outros pais, por terem descoberto uma rede de drogas naquela instituição de ensino. O pai acreditava que seu filho tivesse aprendido a usar drogas naquele lugar e estava convencido que a mudança de estabelecimento seria uma boa providência. Porém, Doutor Lotufo questiona para onde ele iria levá-lo, pois "qual é a escola pública ou privada, que não tem esse tipo de problema?".

       O problema por trás disso é que muitas vezes, os pais esperam que a atitude deva ser tomada pela escola, quando a maior e prévia intervenção devem ser sempre dos próprios pais. "Um outro pai disse que não conversava com seu filho há 6 meses, pois haviam brigado. A família perdeu seu valor. Temos que resgatá-lo", aconselha. 

       Doutor Lotufo explica que quando um filho ou um familiar já se encontra viciado, deve-se procurar ajuda médica e psicológica para lidar com tudo isto. Precisa-se compreender a razão do problema. O médico pediatra tem um programa de aconselhamento breve sobre drogas na consulta pediátrica, ampliando o conhecimento da família sobre o problema do álcool e drogas. "Eu tenho feito uma consulta de orientação para famílias quando descobrem que os filhos estão usando drogas. Tento mostrar os riscos que estão correndo sem uma conversa ampla e honesta, sem a presença dos pais". 
      Para ajudar pais e educadores o site do Doutor Lotufo (www.drbarto.com.br) conta com materiais de leitura para crianças e adolescentes.

Fonte: Revista Freemind - Edição trimestral: janeiro/fevereiro/março - Circulação: 13 de março de 2.018
          

domingo, 11 de fevereiro de 2018

Dia do Currículo

         Nesta sexta feira, dia 09/02, foi um dia muito importante para alguns de nossos acolhidos. Foi dia de sentar com a Assistente Social Patrícia e juntos construírem seus currículos, visando a reincersão no mercado de trabalho.  Cada um dos acolhidos estão num momento diferente do seu processo terapêutico individual. 
     Um está terminando sua caminhada na Terra Santa e já está pronto para buscar novas oportunidades no mercado de trabalho, buscando assim colocar em prática tudo que aprendeu nos 6 meses que esteve conosco, visando alcançar os objetivos que ele próprio traçou durante a construção de seu projeto de vida realizado  juntamente com seus conselheiros, assistente social e psicóloga.      
           O outro está saindo para sua segunda ressocialização, onde ficará uma semana na sua casa com seus familiares, e aproveitará esse tempo para distribuir seus currículos, visando oportunidades de emprego para quando terminar sua caminhada daqui 30 dias. 
           
           











Que esse seja o início de uma novo tempo para eles!

Obs: a divulgação das imagens foram autorizadas por escrito pelos acolhidos. 

Oficina de Artesanato em Madeira

         Nas últimas semanas alguns acolhidos com conhecimento de artesanato em madeira, tem dividido seu conhecimento, com seus companheiros de casa. Resultado: aprendizado, momentos de descontração, ajuda mútua, empoderamento, perspectivas de geração de renda após sua saída da CT e, sem duvida nenhuma, trabalhos lindos.  Todo o artesanato feito na CT com o objetivo de aprendizado, pertencem ao próprio acolhido que pode vendê-lo posteriormente, ou na sua saída ou durante sua ressocialização, gerando renda pra ele e sua família. 













quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

Doação Ceia de Natal

                  E assim foi a ceia de Natal dos acolhidos da CT Terra Santa! Sr. João Felici e Ahmad Omar Rajab fazem a entrega da doação da Ceia de Natal feita por moradora de Colina! Agradecemos a esse grande coração que contribuiu para que nossos acolhidos tivessem uma Ceia farta nesse Natal! Deus abençoe a todos!



Dia de Visita! Fundo Social de Colina


          No último dia 22, os acolhidos da CT Terra Santa receberam a ilustre visita do Grupo de Voluntariado do Fundo Social de Solidariedade de Colina. 
              
              Foram momentos de muita descontração e alegria, com muita música boa e, é claro, aquele lanchinho maravilhoso!

         Momentos assim, são muito importantes na reinserção social de nossos acolhidos, pois fortalecem em seus corações o sentimento de que pertencem a sociedade e que sua estadia ali é apenas um suporte para a construção de um novo projeto de vida, um novo recomeço. 

             Também servem para demonstrar o que é um acolhimento numa Comunidade Terapêutica, levando os visitantes a terem outro olhar para o dependente químico, fora daquele estigma que muitas vezes nos são impostos pela mídia. 
"Foi muito gostoso poder cantar junto com o grupo, e receber o carinho deles por nós! Teve até poesia!"  (Acolhido)
"Nossa, nunca tive ouvido ninguém falar uma poesia! As palavras tocaram em meu sentimento"  (Acolhido)
         A CT Terra Santa agradece a visita da Presidente do Fundo Social, Profª Liliana Taha e toda a sua equipe de voluntariado. Esperamos que essa experiência tenha sido tão gratificante como foi para nossos acolhidos. Voltem sempre que desejarem! Um grande abraço a todos vocês!     

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

O que eu devo fazer?

Como saber se uma pessoa está usando drogas? 

Existem diversos tipos de drogas e cada uma delas afeta o usuário de formas diferentes. A intoxicação pelo álcool, por exemplo, produz um hálito específico, o consumo de maconha deixa os olhos vermelhos e o uso de cocaína é quase sempre acompanhado por inquietação e pressão pra falar. 

Quando começa a consumir e, aos poucos, vai se tornando dependente de uma droga, o desejo de manter esse hábito se mostra mais importante do que os outros como o estudo, os relacionamentos com familiares e amigos, o trabalho e até a higiene pessoal. 
As mudanças de comportamento, especialmente as que aparecem de uma hora para outra, devem ser sempre abordadas pela família, principalmente quando não se tem certeza sobre o uso de drogas. Não ter medo de perguntar e de questionar sobre a presença do consumo é essencial e sempre um bom começo. 

Não é preciso "saber" se a pessoa usa drogas para se tomar alguma atitude. Na dúvida, procure um Centro de Atenção Psicossocial - Álcool e Drogas (CAPS-AD) na sua cidade ou atendimento nos ambulatórios de especialidades. Em casos agudos procure o Centro de Referência de Álcool, Tabaco e outras Drogas (Cratod), na capital paulista e conte com um especialista para ajudá-lo a conduzir uma conversa  com o seu familiar da melhor forma possível. 

Por que ele (a) usa drogas?

Muitos podem ser os motivos que levam uma pessoa a usar drogas. Normalmente, ela é "apresentada" por um amigo ou é usada em algum ambiente que o futuro usuário passa a frequentar depois de experimentá-la. A maioria começa com a maconha e depois, em busca de efeitos mais fortes e duradouros, experimenta a cocaína e o crack. 

É comum o dependente relatar que, durante o efeito entorpecente, se sentia como o "super-homem". a pessoa passa a se sentir segura, eufórica e tem a sensação de que é capaz de fazer qualquer coisa, que antes tinha dificuldade ou normalmente não fazia. 

Eu tenho culpa?

Nunca há culpados, mas todos são responsáveis pelo sucesso do tratamento. o uso de drogas é resultado de inúmeros fatores - nunca um fato isolado pode ser apontado como a causa do uso de drogas. Basta notar na fala dos que possuem problemas  com drogas, que a "causa" eleita por eles também já foi vivenciada por pessoas que nunca usaram nada. No entanto, para esse indivíduo, a presença desse problema - poe exemplo, "apanhava muito dos meus pais" - em combinação com outros, tornou-o mais vulnerável ao consumo de drogas. 

Reduzir um fenômeno tão complexo como este a uma simples relação de culpa não ajuda em nada. É importante, isso sim, que todos cheguem ao tratamento com um senso de responsabilidade: só vai dar certo se todos - paciente, familiares e equipe de tratamento - estiverem no mesmo barco. 

Quais são os objetos suspeitos?

Os objetos mais usados pelos usuários para consumir drogas são:
  • Cigarros enrolados a mão
  • Pacotes de cigarro com tabaco removido
  • Sacos selados para transportar a droga
  • Cachimbo
  • Comprimidos de cores diferentes
  • Latas, bisnagas de cola, frascos de lança-perfume
  • Restos de cogumelos
  • Pó branco cristalino
  • Agulhas

A maconha é preocupante? Ela pode ser a porta de entrada para outras drogas? Se ele (a) insistir em usá-la, o que eu faço?

Sim, quase todos os usuários de crack, por exemplo, relatam que começaram a utilizar a maconha e, em seguida, buscaram drogas com efeitos mais "fortes". Portanto, pode caracterizar um sinal de alerta para a família do dependente. 

A maconha também causa a esquizofrenia, doença psiquiátrica bastante grave e que não tem cura. 

A família desestruturada

O dependente pode ter um comportamento muito agressivo e se tornar frio, distante, violento e passar a cometer crimes, abalando as estruturas familiares. A família não deve dar dinheiro ao usuário, para que não seja gasto com drogas, e sim encorajá-lo a procurar tratamento. 

Conheça alguns estágios pelos quais as famílias normalmente passam:

Negação: pais ignoram o problema achando que é só uma fase passageira.

Incentivo: Família que mentem para proteger o usuário e permitem que usem drogas dentro de casa, pois acham que assim estão no controle da situação e que ele não vai se drogar fora de casa. 

Controle: Assumir o controle da vida do dependente de drogas na tentativa de fazê-lo parar. Passa a determinar horários e quais são as atividades que ele pode realizar.

Atitudes extremas: expulsar ou tirar o usuário da própria casa e deixá-lo fora do convívio da família. 

Como lidar com o problema e o que posso fazer para ajudar? 

Envolva-se. Se interesse pelo problema daquele que você quer ajudar, sem nunca eximi-lo de sua responsabilidades. Não tenha medo de perguntar se o consumo de drogas  está na causa das modificações de comportamento que você está percebendo. Basta não fazê-lo de forma acusatória. 

Perguntas diretas e objetivas são boas quando servem para aumentar a compreensão do problema e não para tirar conclusões ou para fazer julgamentos. Por isso não term medo de perguntar ou de oferecer soluções - "vamos ao CAPS" - é a melhor forma de ajudar.

Não tenha receio de procurar uma ajuda profissional, sempre que se sentir em dúvida. Não há um momento ideal ou específico para procurar ajuda.

Por outro lado atitudes violentas ou de intimidação nunca devem ser toleradas. Isso provoca mais distanciamento entre o usuário e sua rede de apoio social, intensifica seu comportamento de uso e colabora para que ele seja visto como "um marginal" por aqueles que o cercam. Não aceite isso; procure outros familiares para apoia-lo e, principalmente, ajuda especializada no CAPS ou no Cratod.

É muito difícil convencer o dependente a se tratar?

Independentemente do grau de dificuldade, é sempre possível. O dependente químico é uma pessoa dividida: ela quer parar, mas também não se vê sem a droga. Desse modo, uma maneira de convencer o paciente é não ter receio - ou rodeios - de assumir que você é partidário incondicional quando o usuário diz que quer parar. 

Ser a favor do "sim" é muito mais do que dizer "não use drogas" - é não compactuar com esquemas de consumo, não ceder frente a comportamentos intimidatórios, tomando medidas favoráveis ao tratamento. Mesmo que o indivíduo continue a dizer "não", marque consulta para ele, o acompanhe ou vá no lugar dele. Informe-se, frequente grupo de mutua-ajuda voltados para a família, como o Amor-Exigente, por exemplo. O engajamento é a melhor ferramenta de ajuda para esses indivíduos. 

As recaídas são comuns?

Cerca de 70% daqueles que se propõe a abandonar o consumo de alguma droga voltam a usá-las, pelo menos, uma única vez nos noventa dias seguintes e 90%, dentro do primeiro ano. No entanto, apesar de comum, a recaída não é sinal de que o tratamento não deu certo. Do contrário, ela deve ser entendida como um colapso ou revés, na tentativa de uma pessoa mudar ou modificar o comportamento. 

A recaída não é um fato isolado, mas uma sucessão de eventos, atitudes, pensamento e sentimentos "aparentemente relevantes" que antecedem o retorno ao consumo. Pessoas que, no período de abstinência, continuam frequentando os mesmos locais e grupos de convívio, bem como cultivando hábitos anteriores, tem mais chances de recair. 

Uma das característica do comportamento dependente é a busca, nas drogas, de recompensa imediata por qualquer situação emocional pu física de desconforto. A Prevenção de Recaída é uma etapa fundamental do programa de tratamento, no qual serão revistos crenças e pensamentos, bem como o aprendizado e a aquisição de novos pensamentos, hábitos e comportamentos, assim como identificar e reconhecer as situações de risco e seus fatores de proteção. 

Fonte:  http://programarecomeco.sp.gov.br/