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terça-feira, 21 de dezembro de 2021

A prevenção deve começar desde a gravidez

 in DROGASFAMÍLIAPREVENÇÃO



A gravidez é um momento de total entrega, de comprometimento e acima de tudo muita responsabilidade. Durante os 9 meses gestacionais é preciso redobrar cuidados com alimentação, medicamentos utilizados, esforço físico e até mesmo lugares habitualmente frequentados.

Claro que gravidez não é doença e não é preciso abrir mão de tudo que fazia antes de engravidar, mas serão necessárias algumas escolhas e certos cuidados se deseja que seu bebê se desenvolva bem e saudável.  Para as adeptas à noitadas regadas a bebidas e até algumas drogas "recreativas" para dar uma agitada na noite é bom ter ciência das consequências e dos efeitos das drogas na gravidez. O que pode parecer um simples divertimento de momento pode trazer danos e prejuízos por toda vida. 

A pandemia de coronavírus ainda está presente na sociedade e, apesar de algumas regras de precaução estarem sendo flexibilizadas, o momento ainda exige parcimônia e cuidados redobrados com novas e antigas variantes ainda circulantes em nosso meio. Também temos a aproximação das festas de final de ano, confraternizações, em breve o carnaval...

Tanto tempo afastados de nossas atividades fez com que qualquer flexibilização fosse, para alguns, como uma "carta de alforria" e, sobretudo os mais jovens, tem abusados de eventos compartilhados sem os devidos recursos de proteção, baladas, bares, festas regadas a muito álcool e outras drogas. 

É preciso estar atento, sobretudo se você está em idade fértil e pode estar ou desenvolver uma gravidez. Saiba mais sobre o assunto. 

Gravidez Consciente

Toda mulher que está gerando precisa saber que tudo que entra no seu corpo também entra em contato com o bebê seja pela placenta ou pela corrente sanguínea. Através de alimentos, bebidas, medicamentos e inclusive drogas sejam elas quais forem, coloca o bebê em contato com essas substâncias. O uso de drogas torna o bebê um dependente químico sem ao menos ter a escolha de não querer usar. 

IMPORTANTE:  Após o nascimento, bebês gerados por mulheres adeptas as drogas costumam apresentar comportamento mais agitado, chorar mais e sem motivo e isso faz parte da "abstinência das drogas". 

Por isso é necessário consciência de cada ação durante o período gestacional e se a mãe faz o uso de qualquer tipo de droga é hora de parar. E não estamos falando somente de maconha. cocaína, crack e afins, mas drogas como cigarro e álcool também. Aí sempre terá aquele que diz que a maconha é uma planta, portanto é natural e não pode fazer mal para a gestante e o bebê e muito menos causar efeitos da droga na gravidez. 

Porém, diversos estudos recentes comprovaram que é o contrário. Mesmo que nasçam com aparência normal, os efeitos surgirão ao longo da vida.  Sintomas comportamentais, dificuldades no aprendizado e de atenção são algumas características observadas em crianças geradas por mulheres que utilizavam droga durante a gravidez. 

Drogas e Seus Efeitos

Toda substância química pode afetar o desenvolvimento fetal e ainda gerar problemas que a criança carregará por toda sua vida. Cada uma das substâncias químicas em sua particularidade afeta uma parte do organismo e do desenvolvimento do bebê. 

Ecstasy - A famosa droga das baladas que promete animar a sua noite como nenhuma outra é a responsável pelo maior número de más formações cardíacas nos bebês e na deficiência de alguns membros. Ainda é apontada como causadora de problemas na memória a longo prazo e transtornos de atenção. 

Cocaína - A cocaína, muito conhecida pelo seu poder estimulante, atinge fortemente o sistema nervoso trazendo danos irreversíveis aos seus usuários. Quando utilizada na gravidez, principalmente nos primeiros meses, pode causar abortos espontâneos. Com o uso da droga ao longo da gestação, o efeito da droga na gravidez pode levar ao descolamento de placenta, colocando a vida da mãe do bebê em risco. 

Já os efeitos da droga no bebê são ainda mais intensos, já que seu uso está relacionado a um grande número de casos de anomalias intensas no cérebro, face, coração, intestino, olhos e genitálias do bebê. Além das crises de abstinência que são obrigados a enfrentar logo após o nascimento pela falta da substância no sangue, que podem levar até 10 semanas de vida para se normalizar. O uso da cocaína ainda pode levar a um parto prematuro. 

Maconha - Segundo estatísticas, a maconha é a droga ilícita mais utilizada pelas gestantes em todo mundo. Com o argumento de ser uma erva, o que a tornaria natural, milhares de mulheres no mundo colocam a vida de seu bebê ainda no ventre em risco por simples curtição. O uso da maconha não está relacionado a casos de má formação do feto, mas está diretamente ligado ao aumento de frequência e intensidade de contrações uterinas na gestação que pode resultar em abortos espontâneos. 

Foram observados também que bebês gerados por mulheres adeptas à maconha durante a gestação nasceram menores e com índices de baixo peso, situações estas que foram normalizadas no decorrer do primeiro ano de vida dos bebês. Outros sintomas como tremores e espasmos indicando problemas neurológicos  e dificuldade na sucção na hora da amamentação também foram constatados. 

Porém, dentro de todos os sinais informados acima, os de maior número foram os bebês com problemas de memória, raciocínio e déficit de atenção principalmente na época escolar. Foram observados também relatos de hiperatividade, quadros de ansiedade e distúrbios neurológicos. 

Cigarro - Os efeitos do cigarro são evidentes para qualquer ser humano. Já na gravidez, esses efeitos triplicam de importância por estar afetando não só uma vida, mas duas. O uso do cigarro na gestação aumenta os riscos de aborto espontâneo, parto prematuro, aumenta as chances de morte súbita do recém-nascido e ainda é responsável pelo nascimento de bebês com peso abaixo do normal.   

Álcool - Os efeitos do álcool na vida do bebê gerado no alcoolismo podem ser intensos. podem nascer menores do que o normal, Possuem maiores chances de desenvolver a microcefalia, apresentar anomalias na face, nascer com problemas cardíacos, além da deficiencia intelectual. Ainda estão expostos a chances de apresentar a síndrome do alcoolismo fetal  logo após o nascimento. 

Sou Usuária de Drogas e Engravidei - Como Parar?

Quando falamos de usuários de drogas, naturalmente ligamos o fato às drogas ilícitas. Porém aqui iremos ressaltar a dificuldade de usuários de qualquer que seja a substância, incluindo as que são comercializadas naturalmente como cigarro e bebidas alcoólicas a deixá-las. Qualquer pessoa que tenha vícios, seja ele qual for, sabe bem como é difícil abandoná-lo. 

Mesmo que seja uma usuária casual ou totalmente dependente, aquela velha história de "não sou viciada e deixo de usar quando quiser" é uma verdadeira lorota. É comprovado que basta um trago ou uma única vez de uso de certas substâncias para se tornar dependente dela. Porém, para deixar as drogas é necessário um único e grande passo, DESEJAR PARAR!

Ninguém deixa de usar drogas porque a família, namorado ou amigos quer. O desejo tem de partir da pessoa, juntamente da sua força de vontade em buscar ajuda. O primeiro passo é: não se esconda da verdade, afinal, você precisa de ajuda! Durante a consulta com seu ginecologista é essencial que você fale a verdade e relate o tipo de drogas que usa, assim como a frequência de uso e quantidade. Os médicos têm obrigação de aconselhar e manter total discrição do que conversaram dentro do consultório. 

Durante a consulta, serão explicados os danos e efeitos causados pelos entorpecentes e os caminhos para te ajudar a parar. Existem muitas instituições por todo o Brasil que atendem mulheres dependentes químicas. Não pense que tudo está perdido, sempre existe uma saída, uma solução e uma porta para se abrir, procure ajuda e salve sua vida e de seu filho!

 Fonte: https://www.trocandofraldas.com.br

Observação: matéria retirada do Blog Freemind 

https://freemind.com.br/blog/a-prevencao-deve-comecar-desde-a-gravidez/

quinta-feira, 21 de outubro de 2021

CODEPENDÊNCIA - Quando o cuidado torna-se uma doença

                              Autores: André Luis Granjeiro Psicólogo Especilaista em DQ pela UNIAD/UNIFESP
Danyelle Argemira G. Fernandes, graduanda em Psicologia UNIP Campinas-SP



O (TUS) - Transtorno de uso de substância - torna-se grave, crônico e progressivo, carretando prejuízos biopsicossociais, além de espirituais, e limitando a vida do dependente, em suas relações e interações sociais, em uma estrutura global. O TUS é multicausal com uma abrangência multifacetada, causando, por isso, uma destruição massiva no ambiente das relações pessoais e profissionais. A convivência com um dependente químico exige de seus familiares um estabelecimento de limites cuja carga emocional, em muitos casos, não é bem assimilada e absorvida, causando uma autodestruição imperceptível aos envolvidos nesse ambiente disfuncional. Nesse processo de autossabotagem, o zelo maciço do cuidador passa a ser outro transtorno, tão grave quanto a própria dependência química: a "codependência". 

A codependência, segundo Norwood, é a limitação, no estabelecimento de relações saudáveis retroalimentadas pela submissão e controle sobre o outro, em uma anulação de si mesmo. Em um processo doentio de controle, o codependente assume a responsabilidade do outro para si mesmo, enquanto isenta-se de seu real processo de autorresponsabilidade. assim, adquire para si todos os prejuízos e dissabores ocasionados pela impetuosidade da proximidade com um dependente químico, como perdas financeiras, agressões, dívidas alheias, perda de emprego, entre outras, assumindo para si a corresponsabilidade dessas demandas, submetendo-se a qualquer consequência em nome do outro. 

Esse termo, primeiramente adotado por grupo de ajuda a familiares e cônjuges, passou a ser adotado para os familiares ou cônjuges de dependentes químicos e/ou portadores de psicopatologias graves, cujo comportamento denuncia uma forte dependência da problemática do outro. Refere-se a:

"... pessoas fortemente ligadas emocionalmente a uma pessoas com séria dependência física e/ou psicológica de uma substância (como álcool ou drogas ilícitas) ou com um comportamento problemático e destrutivo ( como jogo patológico ou um transtorno de personalidade)." 
(CODA Co-dependentes Anônimos do Brasil).

Enquanto o dependente químico possui adicção a substâncias psicoativas, sejam elas quais forem, o codependente é adicto ao "seu dependente", coligado em uma "atadura emocional", ou, em outras palavras, depende da patologia do outro. 

"O co-dependente repete os mesmos comportamentos ineficazes de quando era criança com o objetivo de ser aceito, amado e importante, e, por tal conduta, tenta aliviar a dor e o sofrimento por sentir-se abandonado. No entanto, paradoxalmente a esse comportamento, o co-dependente tende a perpetuar estes sentimentos. O vínculo defeituoso que se estabelece carrega as preocupações com o que os outros pensam e o medo da perda de um relacionamento, sente e experimenta a culpa e está sempre tentando reparar danos. A percepção que o co-dependente tem do mundo é perigosa, visto que o mesmo apresenta a necessidade de proteger e o medo de ser abandonado". CARVALHO e NEGREIROS, 2011.

Por esse motivo, o olhar e cuidado sobre o familiar são preponderantes no tratamento da dependência química haja vista que o ambiente familiar e social podem atuar como fatores de risco ou proteção quanto à dependência. O entendimento sobre esse transtorno, que afeta principalmente familiares e cônjuges de dependentes químicos e outras psicopatologias, é de extrema importância, em um contexto para entender-se o fenômeno das dependências como um todo. O dependente químico é um ser inserido em um ambiente familiar, social, cultural e espiritual agregando um raio de influência crescente e abrangente. E assim, como um ser coautor de seu meio, não deve ser visto nas limitações de seu corpo físico, e sim como um ser social e ator de transformações ao seu redor. Muitas vezes, trata-se do "doente" desconsiderando-se o seu entorno familiar e social, cujos atributos podem ser facilitadores e perpetuadores como podem ser limitadores e inibidores do processo da dependência, retroalimentando-se por relações doentias, em uma dinâmica destrutiva de dependências paralelas. Assim, o dependente possui uma relação incontrolável com o objeto de desejo, enquanto o codependente tem essa mesma relação de sujeição ao seu dependente. (Oliveira, 2004). 

A codependência caracteriza-se pela incapacidade do indivíduo em formular suas próprias necessidades, enquanto define-se apenas na presença do outro. A tensão mantém-se de forma permanente, conforme Carvalho e Negreiros (2011) citando Hernández Castañón (2007); Leis e Costa (1998):

"...devido à atitude do co-dependente em manter o relacionamento, na medida em que a intimidade e a cumplicidade aumentam, pois o mesmo é integrante de uma rede na qual se envolve de maneira obsessiva aos problemas e à vida do dependente, ocasionando o desequilíbrio em sua  vida pessoal, familiar, social e profissional." (CARVALHO E NEGREIROS, 2011). 

Os autores ainda ressaltam, contextualizando com Beattie (2007): Tofolli, et al. (1997); Zampier (2004):

"Nesta condição o indivíduo depende da aprovação e da capacidade para se controlar, assim como o outro. Além de frequentemente se preocupar com pessoas que apresentam características de instabilidade, o co-dependente apresenta impulsividade, medo, insegurança, dificuldade em expressar sentimentos, incerteza do futuro, medo de errar, culpa, justificativa para o insucesso, necessidade de ser útil acompanhada de sofrimento, competição e disputa para sempre ter razão, ambivalência entre afeto, raiva e frustração, baixa auto-estima, ansiedade em querer mudar o outro e controlá-lo, excessiva negação, vitimização, estresse, indignação, mágoa, falta de afeto, desvalorização, doença, depressão, abatimento, mau humor, decepção, desespero. Quanto aos sentimentos percebidos para com ele, sentimentos estes centrados na pessoa, destacam-se insatisfação, desrespeito, pena, violência, raiva, exploração, desprezo, comparação, distanciamento e abandono. Apresentam dificuldade na identificação da auto-imagem, dificuldade em expressar ou identificar sentimentos, vitimização, ansiedade em relação à intimidade. Das características centradas na relação, ou seja, comportamentos em relação a si mesmo ou aos outros, se destacam a compulsividade e a distorção de limite, assumem indevidamente a responsabilidade, recorrentemente assumem relacionamentos com pessoas "conturbadas" e podem ser vítimas de abuso físico e/ou sexual." ( CARVALHO e NEGREIROS, 2011).

Portanto, a codependência é um padrão repetitivo de atadura emocional que age com uma disfuncionalidade em grande parte dos vínculos (FAUR, 2012), causando grandes impactos e sofrimento na vida de quem a vivencia. Com um controle excessivo sobre a vida do outro e com um alto índice de tolerância e permissividade quanto aos abusos sofridos, o codependente torna-se tão manipulador e corrosivo quanto o próprio dependente químico. Entretanto, é vital ressaltar-se que nem toda forma de apoio, compreensão e altruísmo são problemáticos, pois esse funcionamento é muito importante para o vínculo sadio e fortalecimento familiar. A problemática aparece quando essas ações geram sofrimento contínuo aos envolvidos e não são salutares na proposta de melhora da dependência química ou de qualquer outro transtorno grave, podendo evoluir para um agravamento do quadro. Correr riscos pelo filho amado; pagar dívidas de tráfico; facilitar o acesso à substância para sanar o craving provocado pela abstinência, abusos físicos e psicológicos por "amor" ao cônjuge ensandecido; perder a saúde devido à preocupação com comportamentos alheios; viver a vida do outro, em vez de assumir a responsabilidade pelas próprias dores, são apenas alguns exemplos. A codependência possui tratamentos terapêuticos psicológicos baseados no autoconhecimento e na retomada da autorresponsabilidade  e assunção de si mesmo como um ser humano autoconfiante e integral na busca de sua autoestima. Existem grupos de apoio a todos os envolvidos no processo de codependência, que são vitais para o reerguimento desses familiares que perderam suas vidas em uma tentativa de assumir a vida do outro. Nar-anon (Apoio aos familiares de Narcóticos Anônimos), Al-anon (Apoio aos familiares de Alcoólicos Anônimos), Amor Exigente e o CoDA (Co-Dependentes Anônimos) são grupos que podem facilitar o processo do tratamento e estabelecimento de relações mais saudáveis e funcionais. 

Se você se identifica ou conhece alguém que se encaixa nesse perfil, procure ajuda. 

André Luiz Granjeiro: Psicólogo clínico (online, presencial e domiciliar) CRP 06/144060, Especialista em Dependência Química pela UNIFESP/UNIAD, membro da Associação Brasileira de Estudos de Álcool e outras Drogas (ABEAD), Especialista em avaliação psicológica pela Kroton Sumaré, Idealizador do curso em acompanhamento terapêutico( AT) em dependência química (DQ) teórico e prático, presencial em campinas.

Nota: As referências bibliográficas citadas podem ser encontradas na fonte do artigo citada abaixo.